Esplendor da Glória Divina

INESCRUTÁVEIS SÃO OS CAMINHOS DO SENHOR

N. Kasturi

Como os devotos sem dúvida sabem, Sathya Sai Baba concedeu visões de Si Mesmo como Rama, Krishna e Kamakshi a seus devotos. Talvez a experiência de Swami Amritananda em Puttaparthi seja um exemplo valioso desse aspecto da Divindade de Baba.


Assim que Swami Amritananda chegou a Prasanthi Nilayam, Baba se aproximou e o chamou de “Amritam”, e ele ficou genuinamente espantado com a familiaridade e até mesmo a afeição que caracterizavam o chamado, pois, disse ele: “Apenas Ramana Maharshi, com quem eu vivi por 17 anos, costumava me chamar assim, e a voz e os modos foram exatamente a voz e os modos de Maharshi”! Isto é de fato um milagre.

Mais tarde, Baba perguntou ao velho asceta de 85 anos sobre um Ganapati Homa que ele havia realizado por 41 dias em seu sétimo ano! Baba contou ao Swami todos os detalhes daquele Homa, incluindo o mantra longo e elaborado com que as oferendas eram colocadas no fogo. O mantra, como revelado por Baba, começa com “Om Srim Hrim Klim Gloum Gam”. Baba lhe disse que ele havia repetido este mantra mil vezes por dia, por quarenta e um dias e havia feito muitas oferendas de coco no fogo do sagrado Homa. “Mas qual é a recompensa prometida nos Shastras?”, Baba perguntou ao velho asceta.

Este respondeu que os Shastras declaravam que, se o Homa fosse realizado com um cuidado ritualístico escrupuloso, o próprio Ganapati apareceria no Homa Kunda como o deus refulgente, de coloração dourada e cabeça de elefante, e que, com sua tromba, ele receberia as oferendas finais e conclusivas e concederia bem-aventurança duradoura por meio do darshanBaba lhe perguntou se ele tinha tido o darshan. Amritananda respondeu que não era tão fácil para um menino de sete anos de idade obter o darshan do Senhor, por maior que fosse a quantidade de oferendas e mantras. Mas Baba o interrompeu e disse: “Não, não. É devido a todo aquele japa e todo aquele Homa que você veio até aqui. Você obterá hoje, depois de um intervalo de setenta e oito anos, a recompensa mencionada nos Shastras”. Então, Ele pediu que Amritananda olhasse para Ele e, pasmem, ele viu o elefante de coloração dourada, o Ganapati descrito nos textos antigos. Ele ficou fora de si por cerca de quatro dias depois desse darshan e abandonou comida, bebida e sono, na bem-aventurança que obteve. (...)

É interessante mencionar aqui a experiência de Swami Amritananda (um brâmane nambudiri de nascimento, que foi iniciado por Sua Santidade Narasimha Bharathi Swami, o Sankaracharya do Templo de Sarada, em Sringeri) da forma como ele relatou a este autor. Ele sofria de asma crônica, doença que Baba diagnosticou como tendo sido produzida e agravada pela prática incorreta de Hatha Yoga, em Tiruvannamalai. Durante os meses que permaneceu em Puttaparthi, os remédios que Baba lhe deu evitaram as crises e ele partiu praticamente livre daquele sofrimento. A respeito desses remédios, Swami Amritananda disse o seguinte: “Nos primeiros dois dias, Ele me deu vibhuti que surgiu de Sua mão; no terceiro dia, veio um pó espesso de cor dourada que Ele mesmo colocou em minha boca. Então Ele se virou para os quatro cantos e, em cada um, com um gesto da mão, produziu uma grande quantidade de um pó cor de bronze que aplicou nas minhas costas e no peito. Depois, surgiu vibhuti também, que Ele colocou em minha mão, pedindo que engolisse um pouco quando tivesse crises. No outro dia, Ele “trouxe” raízes macias e com penugem de alguma planta e me pediu para mastigá-las e engolir. Nos outros dias, Ele me deu uma pequena versão de uma banana da montanha que eu jamais vira antes na Índia, no Sri Lanka, na Malásia ou nos Himalaias. Ele me deu a fruta kharjura (tâmara), sem sementes. “Trouxe” um punhado de folhas que amassou na minha frente, derramando o suco em um recipiente que materializou e me mandou beber”.


“Em outro dia, rodopiou a mão e pude ver um monte de folhas pequenas e verdes. Pediu-me para comer todas, umas 100 gramas, e as passou para mim em um piscar de olhos. Fiquei chocado ao descobrir que, por baixo delas, havia espinhos pequenos e afiados e, quando olhei para Ele, implorando e perguntando “Quer realmente que eu coma tudo, incluindo os espinhos?”, Ele se derreteu um pouco, esticou a mão e disse: “Me dê de volta”. Coloquei em Sua mão. Ele me devolveu e não havia mais nenhum espinho nem vestígio ou indicação de que a planta fosse daquela espécie. Então eu comi tudo com prazer. Alguns dias depois, Ele me chamou em sua sala e “produziu” uma grande quantidade de folhas verdes: “São bem específicas”, disse, “vindas direto dos Himalaias”. Guardando metade com Ele, colocou o restante em minha mão e disse: “Venha, mastigue e engula”. Tinha um gosto terrivelmente amargo, e tive que buscar todas as minhas penitências para realizar essa tarefa. Como rezei em meu coração para que Ele interrompesse aquilo e não me forçasse a comer a outra metade horrível da parte que reservara! Mas não. Ele não demonstrou nenhuma gentileza naquele dia; passando-me o restante das folhas, ordenou: “Acabe logo com essas também”. Reunindo toda coragem, coloquei em minha boca a outra metade, mas (acreditam?) – o contato com Sua mão divina tornara o restante das folhas incrivelmente doce, mais até do que cana-de-açúcar ou mel! Ele riu da minha alegria e alívio e me contou que os caminhos do Senhor são verdadeiramente inescrutáveis”.


Esse relato genuíno de um velho sanyasi, antigo seguidor de Ramana Maharishi, versado nos Vedas e no Vedanta, é suficiente para instilar a fé até no mais duro dos cínicos.


– Extraído do livro “Sathyam Sivam Sundaram” Volume 1.

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