Fórum dos Ex-Alunos

MÃOS QUE AJUDAM SÃO MAIS SANTAS

QUE LÁBIOS QUE ORAM

Sunita Ratan Kanal

Foi na minha 10ª série que percebi o poder ilimitado de Bhagavan Sri Sathya Sai Baba. Era um dia chuvoso em Parthi e estávamos todos sentados nas areias de Prasanthi Nilayam, banhados pela chuva, mas indiferentes a isso por estarmos atordoados pelo sol do majestoso semblante de nosso Senhor. Imperturbável, Swami continuou Seu Darshan, concedendo-nos bênção e consolo na beleza de Seu sorriso, com Seu caminhar deslizante, mesmo quando estava encharcado pela chuva. Ele olhou para a enorme multidão reunida para Seu Darshan e, benevolente Senhor que Ele é, acenou com as mãos pelo céu e, em um instante, a chuva parou! Foi nesse dia que percebi que se houvesse algum lugar na Terra que eu queria estar para sempre, tinha de ser onde Ele estivesse. E assim, eu me preparei para ingressar no Colégio Anantapur para meninas, pois essa era minha chance de ouro de estar sempre perto Dele, vivendo sob Sua direta orientação divina.

 

A serviço dos doentes e necessitados

Como estudante Sai, minha primeira surpresa veio no meu primeiro ano de graduação, quando meu pai teve um ataque cardíaco. Eu estava esperando as instruções de Swami, sentada preocupada quando, naquela noite, Swami materializou Vibhuti para meu pai e me pediu para ir para casa e cuidar dele, instruindo-me pacientemente como o Vibhuti deveria ser administrado. É desnecessário dizer que meu pai se recuperou assim que começou a tomar o divino remédio. No entanto, Swami tinha planos diferentes para mim. Mesmo enquanto eu passava os dias no hospital cuidando das necessidades de meu pai, percebi que estava me apaixonando pouco a pouco por toda essa experiência de servir, especialmente quando cuidava de meu pai. A paixão de servir não era apenas em relação ao meu pai, mas se estendia a quem aparecia em meu caminho. A partir desse momento, uma semente para o serviço foi semeada nos mais profundos recessos do meu coração. Era um desejo puro, ou uma necessidade nobre, dedicar minha vida a serviço dos doentes e necessitados.

A autora com Bhagavan

Quando Swami construiu o Hospital de Super Especialidades em Whitefield eu fiquei extremamente feliz, ansiosa para descobrir uma oportunidade de servir em Seu hospital, cuidando e amando os doentes enquanto desfrutava de Sua proximidade ao longo da minha vida. Lembro-me vividamente do inverno de 2000, quando no dia 27 de dezembro Swami decidiu presentear sáris às ex-alunas do Campus de Anantapur. Esta foi a minha vez de receber o presente de Suas Divinas mãos e aquele dia também foi o meu primeiro dia de trabalho no Hospital de Whitefield (Ele havia abençoado meu curriculum anteriormente, instruindo-me a ingressar no Hospital de Super Especialidade de Whitefield). Ele me abençoou com o sári e me permitiu o Padanamaskar (tocar Seus pés de lótus) dizendo: “Baaga Pani Chesuko, Naa Ashirwaadamundi”, que significa “faça um bom trabalho, Minhas bênçãos estão com você”. Eu nunca mais olhei para trás desde aquele dia!

 

Aprendendo a lição da paciência


Como responsável pelo Departamento de Registro e Triagem de Pacientes do Hospital de Whitefield, eu tinha de lidar com muitos pacientes diariamente e, mesmo que meus dias de estudante em Anantapur tivessem instilado muita paciência e compaixão em mim, em algumas vezes eu costumava ficar  irritada com os pacientes. Eu costumava perder a paciência quando muitos deles vinham até mim com dúvidas tolas.


No entanto, houve um incidente que mudou essa minha atitude. Aconteceu na manhã do dia 23 de agosto de 2012, quando eu estava atravessando a estrada em frente ao hospital em Whitefield, quando uma bicicleta subitamente se chocou contra mim e me jogou no ar. Me levantei com a ajuda de alguns voluntários Seva Dal que me ajudaram a me arrastar de alguma maneira até o salão principal. A distância do portão que eu costumava percorrer em um minuto, de repente, parecia longa e cansativa. Eu orientei os membros do Seva Dal para que me levassem para a emergência onde os médicos assumiram com muito cuidado. No entanto, naquele dia, percebi como um paciente se sente quando chega pela primeira vez em nosso hospital. Eu sempre os olhava com os olhos de uma equipe que conhecia seu hospital de dentro para fora. Mas naquele dia eu percebi o quão opressivo é para um paciente já exausto, que viajou quilômetros para chegar até aqui, poder absorver o imenso edifício e seus vários departamentos. É óbvio que eles ficassem um pouco nervosos e confusos, já que muitos deles não sabiam ler nem escrever. Embora nossos amorosos voluntários Seva Dal os ajudassem a chegar aos seus departamentos com segurança, para os pacientes de primeira vez ainda era uma tarefa difícil entrar em acordo com a enormidade do lugar e com todas as indicações.
 

A partir desse dia, tratei todos os pacientes com mais paciência e compaixão, tomando o acidente que havia acontecido como uma oportuna luz orientadora de Swami. Foi uma experiência que realmente me ajudou a ter mais empatia com os pacientes. Às vezes ainda fico com raiva, mas rapidamente me lembro da lição que Swami me ensinou e, desde então, sou testemunha de muitos sorrisos agradecidos, rostos esperançosos e bênçãos não ditas das muitas belas almas que vêm ao Seu Templo de Cura. Sou eternamente grata por esta oportunidade de fazer um pouco para que eles se sintam amados, cuidados e em paz.

 

Ouça as instruções de Swami dentro de você


Estando com Swami (por mais curta que tenha sido a bênção de passar em Sua proximidade, sob Sua divina orientação direta), percebi que nunca devemos negligenciar Seus sussurros que surgem de dentro de nosso coração. No momento em que colocamos o pé no solo de Parthi, devemos perceber que Ele se encarregou de nossas vidas e, portanto, devemos prestar muita atenção à voz interior que não é outra senão a Sua voz, guiando-nos completamente. Em 6 de setembro de 1996, meu marido Sri Ratan Kanal (também aluno de Swami do Campus de  Brindavan) e eu estávamos a caminho de Goa de carro. O motorista estava ultrapassando a velocidade e foi quando ouvi aquela voz dentro de mim pedindo que eu dissesse para ele diminuir a velocidade. Tentei convencer Ratan a dizer ao motorista para ir devagar. Sendo um entusiasta da emoção, Ratan descartou meu medo como algo desnecessário.
 

Depois de alguns minutos, o motorista perdeu o controle e nosso carro deslizou e caiu em uma grande vala. Eu gritei “Swami” conforme o impacto do acidente me jogou para a frente. Depois de alguns momentos atordoados, percebi que minha testa estava sangrando profusamente. Ratan havia recuperado a consciência e descobriu que eu era a mais gravemente ferida entre os dois (o motorista havia fugido) e que precisava de ajuda imediatamente. Nós dois estávamos entoando o Sai Gayatri Mantra continuamente quando, de repente, um jipe ​​parou ao nosso lado e nos levou a um hospital próximo. Minha testa se abriu devido ao impacto e havia sangue por toda parte. Os médicos daquele hospital disseram que não tinham condições de suturar um corte tão profundo e que eu precisaria ser levada para um hospital maior em Manipal, com melhores instalações. Chegamos lá quatro horas depois, ainda sangrando, e com o Sai Gayatri em nossos lábios. E foi quando conhecemos o médico ao qual fomos encaminhados.
 

Chame de providência divina, mas seu colega, um médico do exterior, estava lá naquele momento. Aliás, ele até tinha o melhor aparato de sutura disponível com ele, que recebera dos EUA. Em um instante, ele consentiu em fazer todo o necessário para me fazer voltar ao normal novamente. Por causa do tratamento correto administrado em tempo hábil, me recuperei rapidamente. Assim que melhorei, desejei ver Swami o mais rápido possível.
 

Naquele mês de novembro eu e meu marido fomos a Parthi e, ao me ver, Swami chegou perto de mim e disse: “Maathey Pe Kya Hua?” significando: “O que aconteceu com sua testa?” Eu respondi: “Swami, um acidente”. Swami disse:“Haan, Maalum Hai. Bahut Bada acident Tha! Tune Mujhe Pukara Naa?” significando: “Sim, eu sei. Foi um acidente grave! E você chamou por Mim?” Eu respondi afirmativamente.
 

Estando em serviço de segurança (próximo a Swami), eu consegui Lhe passar um lenço. Ele limpou os dedos e colocou o lenço na minha testa dizendo: “Naya Janam Diya Hai”, que significa: “Eu te dei uma nova vida”. Este foi o dia em que percebi que Ele sempre nos instrui a partir de nosso interior. Tudo o que precisamos fazer é ouvi-Lo e seguir Suas instruções sem nenhuma dúvida.


Para reafirmar essa crença, tive outra experiência. Um dia, eu estava dirigindo para o Ashram de Brindavan para meu serviço de segurança quando notei um caminhão enorme carregando barras de ferro indo bem devagar na minha frente. Senti uma vontade de ultrapassar, mas foi então que ouvi novamente aquela voz que me orientava a desacelerar e estacionar o carro no acostamento. Tendo em mente minha experiência anterior, sem pestanejar, segui as instruções daquela voz interior. Para minha total surpresa, alguns metros à frente o caminhão teve uma colisão frontal com outro veículo e causou muitos danos às pessoas, inclusive fatais. Eu poderia ter sido uma delas se não tivesse seguido a Sua voz dentro de mim. Desde então, houve muitos casos em que testemunhei Suas misteriosas maneiras de nos alertar e nos guiar.

Rara oportunidade de fazer parte de Sua divina missão


Tendo sido abençoada com a oportunidade de uma vida de servir em Seu hospital nos últimos vinte anos, testemunhei milhares desses milagres. Vi inúmeras almas que, como eu, receberem uma segunda chance na vida neste Templo de Cura Divina.


Hoje, este hospital é nada menos que minha própria casa. De fato, uma vez Swami disse ao meu marido: “Ela cuida do Meu hospital assim como cuida da sua própria casa”. Tenho certeza de que Ele está sempre lá conosco, nos observando, nos guiando quando fazemos algum desvio, às vezes nos repreendendo e, ainda, cuidando de nós com carinho em cada momento de nossas vidas, de maneiras que nunca entenderíamos ou estimaríamos. Ele envia Seus filhos ao nosso hospital para serem curados e servi-los com amor e compaixão é a nossa maneira de retribuir o Seu amor que Ele continua a derramar sobre todos nós. É desnecessário dizer que todos os funcionários aqui trabalham para Ele como oferta pela bênção da oportunidade recebida de poder fazer parte de Sua Divina Missão.


Quanto a mim, apesar de estar em uma cidade volátil como Bengaluru (Bangalore), ainda sinto que nada mudou, pois continuo sendo Sua aluna aderindo aos Seus princípios.
 

Naquela época, Ele era meu amoroso professor em Anantapur e, depois que me formei e assumi esse trabalho, hoje, ele é meu Mestre! Tudo que desejo é poder servi-Lo até o último suspiro da minha vida. Essa é a única maneira que sinto que posso prestar minha gratidão a Ele.

- A autora, uma estudante do Campus de Anantapur, no Instituto de Ensino Superior Sri Sathya Sai, atua no Hospital de Super Especialidades de Bhagavan, Whitefield, Bengaluru desde o ano 2000.

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