Divino Discurso

O EGOÍSMO É A CAUSA DA INQUIETUDE DO HOMEM

A PAZ SÓ VEM QUANDO VOCÊ PENSA EM DEUS

Encarnações do Amor!


Bhagavan deseja que todos vocês sejam felizes. Ele quer que todos vivam vidas longas, em paz e segurança. O homem moderno progrediu muito nos assuntos materiais, mas não progrediu nos valores éticos e morais. Qual é a razão para isto? A razão fundamental é o egoísmo acumulado na mente do homem através de diversos nascimentos. A motivação egoísta predomina em todos os seus empreendimentos.
 

Livrem-se do Egoísmo e da Estreiteza Mental
 

O homem de hoje em dia se tornou uma marionete nas mãos do egoísmo. Seu amor por objetos materiais tem origem nesse egoísmo. Seu amor pelos outros também tem objetivos puramente egoístas. Tudo que ele deseja é apenas para beneficiar a si próprio. Não dá um passo sequer que não seja egoísta.


Ao mesmo tempo que essas peculiaridades aumentam, neste mundo ultramoderno, declinam os valores humanos. Não pensem que o egoísmo exerce influência apenas sobre a vida mundana dos homens. O demônio do egoísmo o alcançou em todos os aspectos de sua vida, inclusive a adoração. O homem não se preocupa com o que Deus gosta, com aquilo que Deus espera dele. A mesquinhez mental penetrou em todos os campos da vida. O homem deveria abandonar o egoísmo e tentar alcançar a divindade, voltando sua mente para a espiritualidade.


Há três mudanças necessárias atualmente. A palavra SAI indica essas mudanças. “S” representa a mudança espiritual (spiritual), “A” significa mudança social (association) e “I”, mudança individual. Quando essas mudanças acontecerem, o país também se transformará. A mudança na sociedade não acontecerá se não houver mudança no indivíduo. Não surgirão pensamentos espirituais em nós, se não houver mudança na sociedade, a qual segue pelo caminho errado porque o indivíduo está indo pelo caminho errado. Devemos ter em vista a sociedade, mesmo em assuntos triviais. Cada indivíduo é um membro da sociedade. Como o homem poderia viver sem ela? Mas o ser humano vive atualmente com a ideia limitada de si mesmo e da sua família. Ele deve livrar-se dessa estreiteza e egoísmo, pensar em Deus constantemente e levar uma vida divina.


Mas ele está tão envolvido nos assuntos mundanos que se esqueceu de Deus. Este país se tornou fraco porque o povo tem desejos demais. O homem de hoje em dia está afogado na ignorância porque se esqueceu de Deus. Ele tem a ilusão de que os confortos do mundo são superiores à divindade. Como resultado, sua vida tornou-se um desperdício total. Os seres humanos atuais são desprovidos de qualquer qualidade humana. Eles são humanos somente na forma, não no comportamento. Aparentam ser devotos, falam como devotos, mas sua devoção é parcial e temporária. Toda essa devoção é circunstancial. Não se vê fé genuína. Egoísmo e pensamentos dessa natureza fazem com que o homem se esqueça de sua verdadeira natureza.

O Homem Deve Elevar-se ao Nível Divino


O homem não deveria se esquecer de sua divindade intrínseca, qualquer que seja a posição de destaque alcançada em sua vida. Deus é a base do homem e também a meta do homem. Este não deveria apenas alcançar o estado humano após haver descartado suas qualidades animais; deveria tentar alcançar o estado divino. Em lugar de ascender ao nível divino, o homem caminha na direção contrária. Está degenerando do nível humano para o animal. É por isso que a ansiedade e falta de paz têm aumentado nos níveis nacional, social e individual.


Esta se tornou a característica do mundo moderno. Embora a ciência tenha feito grande progresso, ainda assim o homem não tem controle sobre seus sentidos. De que serve a ciência sem controle dos sentidos? Os cientistas se esqueceram da causa básica do universo. É necessário que o homem desenvolva devoção e autossacrifício para alcançar a Divindade.

Têm surgido muitas pessoas eminentes e eruditas em Tamil Nadu. Em certa época, o reino Pandya de Tamil Nadu reinou supremo. Um rei Pandya gostava muito de cavalos. Certa vez, enviou seu ministro para adquirir alguns. Deu-lhe todo o dinheiro e pessoal necessário para o trabalho. O ministro chegou a uma vila chamada Tirupperunturai. Ali encontrou um homem santo, Balayogiswara. Como não quis desperdiçar a agradável oportunidade, uniu-se à congregação e escutou o discurso do santo com muita atenção. Ele se esqueceu de si mesmo enquanto ouvia a palestra. Desenvolveu uma grande fé naquele santo, a ponto de se esquecer da tarefa que o rei lhe dera, passou seu tempo ouvindo as palestras e mergulhou na contemplação de Deus. Um dia, encontrou um templo de Shiva muito dilapidado e usou o dinheiro que o rei lhe confiara para reformar o templo.


O rei ficou sabendo que o ministro havia gastado o dinheiro destinado à compra dos cavalos para reformar o templo de Shiva. O rei também era um devoto, mas, já que o ministro desobedecera sua ordem, enviou soldados para trazê-lo de volta. Convocou o ministro à sua presença e o interrogou sobre o que fora feito do dinheiro que recebeu para adquirir cavalos. O ministro disse: “Ó rei! Eu usei o dinheiro para Deus. Tudo é dádiva de Deus. O que Deus me deu, eu devolvi a Ele. Não apenas isto: eu mesmo me ofereci a Ele”. Mas o rei perguntou se era justo gastar o dinheiro para um propósito distinto daquele para o qual fora destinado. O ministro respondeu que ele não havia usado o dinheiro para propósitos mundanos, mas para um propósito sagrado. O rei ficou furioso com a audácia daquela resposta e mandou prender o ministro.


O ministro não se abalou. Na prisão, continuou a recordar os ensinamentos do santo Balayogiswara e começou a escrevê-los na forma de versos (slokas). Ele compôs muitos slokas todos os dias. Vivia imerso em bem-aventurança enquanto compunha hinos de louvor a Deus e, assim, perdeu a noção do tempo. Tempos depois, o rei percebeu seu equívoco e convocou o ministro. Ficou surpreso ao ver a aura brilhante em torno de sua face. Como ele obtivera aquela aura? Foi devido à constante contemplação de Deus. Aquele ministro não era outro, senão Manikkavachakar [1].  Cada sloka composto por ele refletia a essência dos Vedas e textos sagrados. Este trabalho é conhecido como Thiruvachakam, termo que significa “afirmações sagradas”. Cada um desses poemas é como uma pedra preciosa. O homem deveria se transformar desta maneira. Então Bharat (a Índia) brilhará como um farol de luz para as outras nações.


O Homem Moderno se Tornou Escravo do Dinheiro


O homem moderno não ama a Deus. Ele só tem amor por riquezas e por sua família. Do nascimento até a morte ele se mantém envolvido em assuntos de família. O que espera levar consigo? No final, qual foi a sua realização? Nada. Pode ser na Índia ou em qualquer outro país, quando o homem deixa este mundo, não leva sequer um punhado de poeira consigo, não é? Durante toda a sua vida, ele só pensa em dinheiro, dinheiro e dinheiro. Ele se tornou escravo do demônio do dinheiro. O dinheiro é necessário, mas dentro de certos limites. O homem ganha e acumula muito dinheiro e, por fim, morre sem ter paz. Não deveria pensar em Deus pelo menos por um momento? Como pode alguém ter paz e felicidade sem Deus? Uma vez que o homem não pensa em Deus, se esquece de suas qualidades humanas.


Vocês passam tempo falando sobre sua descendência, seus amigos, parentes, negócios, riqueza, comida e fama. Por acaso usam pelo menos uma fração desse tempo contemplando Deus e pensando Nele? Isto não acontece. Podem chamar isto de vida, se das 24 horas vocês usam 23 horas e 55 minutos para seus fins egoístas e não conseguem separar 5 minutos para pensar em Deus? Como podem se autodenominar seres humanos? Como podem obter bem-aventurança (ananda)? Já que dizem santhi, santhi, de onde poderão obter santhi (paz)? A paz só vem quando pensam em Deus!


O Homem Deveria Controlar seu Desejo


Se mantiverem bons pensamentos em seu coração, se falarem palavras sagradas, se seu corpo estiver engajado em servir aos outros, só então acrescentarão beleza, valor e grandeza ao seu nascimento humano. Esta é Trikarana Suddhi (unidade de pensamento, palavra e ação). Bons pensamentos, boas palavras, boas ações constituem a Tríplice Pureza (Trikarana Suddhi). Essa harmonia os conduzirá a Deus.


O que podem os maus efeitos da Era de Kali fazer a um homem cujo coração é cheio de compaixão, cuja fala é repleta de verdade e cujo corpo é dedicado a servir aos outros?
(Verso em sânscrito)


Chittibabu (o palestrante anterior) disse que seva e prema (serviço altruísta e amor) são importantes na vida do homem. Eles são como as duas asas de um pássaro ou as duas rodas de uma bicicleta. Não podemos andar com uma roda só. As aves só podem voar pelo céu sem fim, se tiverem duas asas. Do mesmo modo, o homem só pode elevar-se da terra ao céu quando tem seva e prema.


Nós afundaremos tanto mais quanto mais suportarmos a carga dos desejos. Este é um lenço. Ele cai, se escorregar da nossa mão. Antes, o lenço era algodão, que teria flutuado no ar. Esse algodão se tornou tecido quando foi transformado em fios e trançado em um pano. Então, cai ao solo porque ficou pesado. A mente, do mesmo modo, é leve como algodão e se torna pesada com o aumento dos desejos. Como resultado, a mente, que deveria ascender em direção a Deus, é puxada para baixo pelos apegos mundanos. A consequência é que o homem afunda na autodestruição. Com menos bagagem, o conforto é maior e a viagem, agradável. Portanto, deveríamos reduzir nossos desejos. Quantos desejos deveriam ter? Não é suficiente ter ar condicionado em um quarto: vocês querem ar condicionado em todos os aposentos. Querem ar condicionado até no banheiro (risos)! Tanto conforto assim para um corpo inútil, sem qualquer valor! O corpo é algo permanente? Não.


Vocês gastam apenas uma rúpia para comprar um pacote de varetas de incenso, mas não hesitam em gastar centenas de rúpias para jogar cartas em um clube. Vocês se irritam com suas esposas porque ofereceram uma banana em adoração a Deus, mas passeiam por aí em um carro. Quanto gastam nisso? Quanto combustível é consumido? Vocês se preocupam com a oferta de comida em adoração a Deus? Tendo nascido como seres humanos, não deveriam fazer esforços para chegar ao nível divino? Há tanta agitação no mundo porque o homem não tem esses sentimentos sagrados.


(Continua na próxima edição…)


– Discurso de Bhagavan no Sai Sruthi, Kodaikanal, em 13 de abril de 1996.


Trabalhem para a redenção de suas vidas cantando o Divino Nome e executando atividades sagradas. Vocês não precisam fazer nenhum esforço especial para adquirir os valores humanos de Verdade, Retidão, Paz, Amor e Não-violência. Eles estão em vocês desde o nascimento. Em lugar de dar toneladas de palestras, é melhor que pratiquem pelo menos alguns gramas daquilo que têm aprendido. Atualmente, a humanidade está em declínio porque o homem não pratica valores humanos. Ele desenvolve desejos e se esquece de desenvolver ideais.

– Baba

[1] Manikkavachakar foi um poeta tâmil do século IX que escreveu um livro de hinos a Shiva chamado Tiruvasakam. Foi ministro do rei Varagunavarman da dinastia Pandya (862 DC – 885 DC) e viveu em Madurai, Tamil Nadu. Sua obra é uma expressão poética da alegria de viver a experiência de Deus e da angústia de estar separado de Deus. É um santo proeminente do Sul da Índia. [Fonte – Wikipédia]

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