Divino Discurso

EQUANIMIDADE É A VERDADEIRA LIBERDADE

ONDE HÁ AMOR, NÃO EXISTE ÓDIO

Aqui temos um pano. Não passa de um emaranhado de fios. E não são só fios; é algodão. Aqui, vocês têm três coisas: algodão, fio e pano, mas, essencialmente, são uma coisa só. Da mesma maneira, vocês não são uma pessoa, mas três: aquela que pensam ser: o corpo físico; aquela que os outros pensam que vocês são: a mente e aquela que realmente são: o Atma. É o Atma que devem procurar. Todas as outras coisas são, tão-somente, periféricas.

O Amor Divino é a Panaceia para todas as Doenças


Jesus primeiro disse: “Eu sou o mensageiro de Deus”. Depois falou: “Eu sou o filho de Deus” e, finalmente, disse: “Eu e meu pai somos um”. Zoroastro também disse a mesma coisa: “Eu estou na luz, a luz está em mim e eu sou a luz”. As expressões são diferentes, mas seu sentido é o mesmo. Os bharatiyas (indianos) falam a respeito de Dvaita, Visishtadvaita e Advaita (Dualismo, Não-dualismo qualificado e Não-dualismo). O indivíduo progride do dualismo para o não-dualismo qualificado e, por fim, para o não-dualismo. Advaita propõe o princípio da unidade. Ela proclama Ekam Sath Viprah Bahudha Vadanti (a verdade é uma só, mas o sábio se refere a ela por vários nomes).

O que significa Dvaita? Implica na existência de duas entidades: Jivatma e Paramatma (alma individual e Ser Universal). É o relacionamento do objeto com o seu reflexo, como a relação entre uma formiga e o açúcar. Este não pode provar da própria doçura. Considera-se que a pessoa precisa ser como uma formiga para provar da doçura do açúcar.

No cenário atual desta vida e deste sistema educativo, as pessoas estudam e praticam tudo aquilo que se relaciona com o mundo material. Mas, quanto tempo duram os objetos materiais? Como alguém pode obter felicidade permanente a partir das coisas efêmeras do mundo? Anityam Asukham Lokam Imam Prapya Bhajasva Maam (Já que o mundo é temporário e cheio de miséria, contemplem a Mim, constantemente), diz o Senhor Krishna na Bhagavadgita. Então, o que podem esperar de um mundo que é efêmero e cheio de sofrimentos?
 

Aqui temos um breve exemplo. Certo dia, um brâmane sentiu fome enquanto viajava. Viu um hotel e correu para lá, em busca de uma refeição. Sendo um brâmane fervoroso, pediu uma comida estritamente vegetariana, um sambar (prato do sul da Índia, feito de lentilhas e legumes), arroz, etc. E ficou chocado quando o garçom disse que aquele era um hotel não-vegetariano e que jamais serviam aqueles pratos. O mesmo acontece com o mundo, que é passageiro e repleto de problemas. Tendo nascido neste mundo temporário, como alguém poderia aspirar obter felicidade permanente? Vocês entram em uma farmácia e pedem puri (fatia fina e redonda de pão ázimo, frita) ou sambar. Conseguirão obtê-los? A fome é a mesma para todos, mas as pessoas têm diferentes necessidades e gostos. Outro exemplo: há uma farmácia e uma cafeteria, uma do lado da outra. Se o farmacêutico tiver dor de cabeça, vai até a cafeteria tomar uma xícara de café como remédio. Quando o dono da cafeteria sente dor de cabeça, vai até a farmácia pedir um comprimido. Vejam! Um acredita no café como remédio e outro, no medicamento para a dor de cabeça. As pessoas não têm fé em si mesmas. É como alguém que vai à casa do vizinho comer comida velha, deixando de lado a comida fresca e saborosa disponível em sua própria casa. Assim, os jovens de Bharat ignoram a grandeza e santidade de sua própria cultura e partem para outros países.


Vocês deveriam reconhecer seu poder inato. Todos os poderes estão aí, dentro de vocês. O mundo inteiro está presente dentro de vocês. Esta é a verdade que precisam reconhecer. O mundo desaparece quando fecham os olhos e ressurge tão logo abram os olhos novamente. Vocês não perceberão a verdade enquanto virem o mundo com seus olhos físicos. Tudo parece amarelado para alguém que sofre de icterícia. Do mesmo modo, quando seus sentidos sofrem a doença da ignorância, sua percepção, naturalmente, é defeituosa. O amor divino é a panaceia para todo tipo de defeito e doença. Ele não sofre nenhuma enfermidade. O amor mundano pode debilitá-los, mas o amor átmico é livre de todas as doenças. O amor divino sempre dá, enquanto que o amor mundano sempre tira. Esta é a diferença entre os dois tipos de amor. O verdadeiro amor não espera nada em troca. O caminho do amor é o caminho do autossacrifício. Este é o princípio básico do amor, raramente encontrado nos tempos atuais. Todos estão envolvidos em demandar ou desejar alguma coisa.


Cultive Amor Expansivo


Os estudantes de hoje em dia só pensam nos ganhos financeiros provenientes de seus estudos. Ninguém pensa em termos de ajudar a sociedade ou melhorar a condição de sua família. Não desenvolvem tais sentimentos generosos. Seus pensamentos são estreitos. Este é um amor que se contrai, não é expansivo. Vocês nasceram em sociedade. Seu bem-estar depende do bem-estar da sociedade. Sua educação, riqueza, fama e tudo o mais vêm da sociedade. O que estão fazendo em retribuição a ela? Deveriam demonstrar gratidão, dedicando à sociedade sua educação, riqueza, fama e o resto todo. Só assim sua vida como seres humanos terá sentido. Em lugar de procurar vantagens, deveriam pensar sempre em termos de auxílio à sociedade. Ajudar sempre! Jamais ferir! Paz e felicidade prevalecerão no mundo quando este tipo de ambiente for desenvolvido. Quando oferecerem auxílio, naturalmente obterão cooperação e ajuda dos outros. Quando tentarem ferir alguém, haverá muita gente disposta a retaliar, à menor provocação. Onde está a grandeza em manifestar ódio? Vocês deveriam controlar seus sentidos através de suas mentes e elevá-las ao nível do princípio divino. Quando transformarem suas mentes em princípios divinos, reconhecerão que todas as culturas do mundo são uma só. Todos são um. Sejam os mesmos para com todos. Assim como amam seus corpos, os outros também amam os próprios corpos. Não abriguem sentimentos egoístas, de que só vocês deveriam ser felizes, no lugar dos outros. Este tipo de egoísmo e interesse pessoal é o responsável por todas as inimizades que há nesta nação e no mundo. Promovam o princípio do amor. Ampliem o amor que há dentro de vocês, alcançando horizontes mais amplos. Estimulem o sentimento inclusivo: “eu e vocês somos um”. Este é o sinal de verdadeira humanidade. Qual é o propósito da vida? Seria simplesmente comer, beber, dormir e morrer? Não! De jeito algum!


Compreendam a Importância de todas as Profissões


O maior ideal da cultura Bharatiya é: Sathyam Vada, Dharmam Chara (fale a verdade, pratique a retidão). Nós falamos sobre sathya e dharma, mas não os colocamos em prática. O modo correto é do livro para a cabeça e da cabeça à ação, para alcançar unidade entre pensamentos, palavras e atos. Isto significa que o estudo apropriado para a humanidade é o homem. Aquele cujos pensamentos, palavras e atos estão em uníssono é um verdadeiro ser humano. Do contrário, aquele que diz algo, pensa em outra coisa distinta e age em desacordo com o que pensa e o que fala não passa de um demônio. As escrituras dizem: Manasyekam Vachasyekam, Karmanyekam Mahatmanam; Manasyanyath Vachasyanyath, Karmanyanyath Duratmanam (Aqueles cujos pensamentos, palavras e atos estão em perfeita harmonia são nobres; aqueles a quem falta harmonia entre os três são perversos). Assim sendo, mantenham a unidade entre esses três. Certamente, terão que enfrentar dificuldades nesta prática. O prazer é um intervalo entre duas dores. Não se pode perceber o prazer na ausência da dor. A possibilidade de acidente é maior numa estrada reta e bem pavimentada porque induz o motorista ao descuido. Subidas, descidas e curvas vão mantê-lo atento. Do mesmo modo, a vitalidade do gênero humano se perde quando a vida é desprovida de tristezas, lutas e perdas. As dicotomias de felicidade e tristeza, ganho e perda, fama e infâmia são componentes necessários para uma vida vibrante. Do contrário, a vida seria enfadonha.


Uma história a esse respeito. Certa vez, um rei se embrenhou na floresta para realizar intensas penitências. Como ele orou com devoção, Deus apareceu para ele. Então o rei orou: “Muita gente sofre com problemas e angústias no mundo. Há pessoas importantes e mendigos, ricos e pobres. Por que o Senhor criou todas essas diferenças? Faça com que desapareçam! Torne todas as pessoas iguais, em todos os aspectos”. Deus respondeu: “Querido! Este mundo é Jagat, que significa ir-e-vir. Esta é uma disposição que sustenta a criação e o mundo em uma condição vibrante. O indivíduo nasce, torna-se um menino aos dez anos, adulto aos trinta e avô aos setenta e cinco. O mesmo indivíduo é recém-nascido, criança, homem e ancião. Não há vida sem mudança. A mudança precisa estar ali. Se não houvesse, as pessoas não seriam felizes. Não há felicidade na igualdade”. O rei tolo persistiu em sua lógica. Então Deus disse: “Está bem! A partir de agora, torno todas as pessoas iguais em status, no seu reino”. Quando o rei voltou aos seus domínios, descobriu que todas as ruas estavam sujas. Como os varredores haviam enriquecido, não havia ninguém para limpá-las. Ao chegar ao palácio, ninguém veio recebê-lo e não havia servos no palácio, pois todos estavam vivendo em seus próprios palácios. Também não havia porteiros e vigias. Quando perguntou à rainha onde estavam todos, ela disse: “Já que todos ficaram ricos e iguais ao rei, não se preocuparam mais em servi-lo!” Então o rei tolo percebeu: “Ora! Eu não compreendi o que Deus me explicou”. Então entendeu a importância de cada profissão. Cada uma é digna de respeito e cada pessoa deve cumprir seus deveres respectivos com sinceridade. Ninguém deve ser menosprezado ou louvado por seu poder ou posição. É assim que as pessoas deveriam cumprir seus respectivos deveres.


Muitos anos atrás, eu fui a Madras (hoje Chennai) durante a época em que Rajagopalachari (popularmente conhecido como Rajaji) era Primeiro Ministro de Tamil Nadu. A Assembleia estava em sessão. Quando terminou, Rajagopalachari realizou Arati para o Senhor Rama, algo que lhe deu grande alegria. Um membro de um dos partidos políticos apresentou forte objeção àquilo, dizendo: “Este é o Salão da Assembleia. Se você gosta de Arati, por que não se aposenta e assume o cargo de sacerdote em um templo?” Outro congressista levantou a bandeira da igualdade, dizendo: “Senhor! Onde está a igualdade? O secretário que se senta numa sala com ar condicionado e assina alguns papéis ganha um gordo salário de cinco mil rúpias, enquanto que um peão que trabalha duro da manhã à noite recebe um magro salário de quinhentas rúpias. Não é uma injustiça? O peão deveria ganhar o mesmo que o secretário”. Rajaji resolveu ensinar-lhes uma lição prática. Ele olhou pela janela e viu um sannyasin (asceta) na rua. Chamou um vigia e pediu que fosse ver para onde o sannyasin estava indo. O vigia voltou e trouxe a resposta. Então, Rajaji pediu que fosse ver onde o asceta residia. O vigia retornou com a nova resposta. Rajaji, uma vez mais, pediu que o vigia fosse perguntar se o asceta concordaria em que ele visitasse sua casa. O rapaz foi, retornou e disse que o sannyasin concordava com a visita. Rajaji então chamou um servidor administrativo e pediu que fosse verificar quem era aquele sannyasin. O funcionário foi e, ao regressar, relatou todos os detalhes sobre o asceta. Não foi preciso enviá-lo repetidas vezes. Rajaji, então, convenceu o congressista, que assistia todo aquele drama, de que os salários correspondiam aos talentos e capacidades. Pessoas dotadas de discernimento fundamental eram muito superiores àquelas que só possuíam discernimento individual. Suponha que você tem todo tipo de mantimentos e vegetais na cozinha e, também, um cozinheiro especializado para preparar os alimentos. Mas, se a comida for preparada em uma panela suja [1], será tóxica. Do mesmo modo, todas as práticas espirituais, como os bhajans, serão inúteis se lhes faltar amor. O amor é o pré-requisito para todos os tipos de práticas espirituais. Onde há amor, não há espaço para ódio. A amizade floresce na ambiência do amor. Portanto, desenvolvam amor, cada vez mais. Este é o sinal da divindade. O Amor é Deus. Vivam em amor.


(Bhagavan encerrou Seu Discurso com o Bhajan, “Prema Mudita Manase Kaho Rama, Rama Ram…”)
 

– Discurso Divino de Bhagavan no Sai Sruthi, Kodaikanal, em 8 de maio de 1997.

As mães deveriam se sentir com sorte por ter filhos nobres. Kondama Raju costumava dizer à sua nora: “Eswarama, você não faz ideia de sua boa sorte. Você não é uma mulher comum. O próprio Senhor está com você. Que mulher afortunada”! Já ouviram falar de um sogro adorando a própria nora? Ele costumava dizer. “Eswarama, seu nome é uma confirmação. Eswarama significa ‘Mãe de Eswara’ (o Senhor).”

– Baba

[1] (N. T.) Em inglês, Baba disse “untinned vessel” – recipiente não estanhado. Uma referência, por certo, a panelas de cobre que recebem uma camada de estanho. A substituição por “panela suja” em português, simplifica e preserva o sentido geral da mensagem.

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