Especial

VIVENDO SOB O CUIDADO BENEVOLENTE DE SWAMI

(Parte II)

Nidadavolu Suri Babu

Eu tinha 11 anos. Naquela época, na noite do festival Vijaya Dasami, os devotos realizavam o Festival do Balanço, em que Swami ficava sentado em um balanço todo decorado. Em tais ocasiões, meu pai costumava realizar Burra Katha [1]. No ano de 1969, meu pai compôs e apresentou a seguinte música em télugo:
 

    Vuyyala Loogavayya Maa Baba Uyyala Loogavayya...
    Veyyendla Tapah Phalamo Vayyaramulu Chooda

(Swami Swami! Nosso querido Swami! Balance! Como resultado de nossa penitência de mil anos, a nós foi concedido observar Seus movimentos graciosos.)

Festival do Balanço
 

Enquanto meu pai cantava essa música, Swami desceu do balanço e foi para o aposento interno. Meu pai parou de cantar imediatamente e caminhou atrás Dele. Swami olhou e disse: “Achyutha Ramaiah! Eu voltarei daqui a pouco. Vá e continue cantando”. Meu pai segurou a Sua mão e implorou: “Não, Swami! Eu compus esta música para Lhe oferecer. Eu a estou cantando pela primeira vez. Qual é o sentido de meu canto se Você não o escutar, Swami?” Aceitando seu pedido, Swami retornou ao palco e sentou-se no balanço. Eu sinto que este incidente foi o epítome do amor de Swami para com meu pai. Naqueles dias, devotos de quase 40 a 50 aldeias próximas costumavam vir e testemunhar o Festival do Balanço.  Swami diria: “Achyutha Ramaiah! Todas essas pessoas estão vindo apenas para desfrutar de seu Burra Katha”, e meu pai responderia: “Estou realizando isso com o desejo de que Swami seja testemunha”.

Quando se tratava da arte de Burra Katha, meu pai sempre foi um rígido disciplinador. Por ocasião das Celebrações do Jubileu de Prata do Banco Central das Cooperativas em Rajamahendravaram, o programa do meu pai foi organizado. O ministro-chefe estava sentado no palco. Meu pai iniciou o Burra Katha, sem olhar para ele nem ao menos uma vez. Ele estava o tempo todo olhando apenas para o público. Quando, posteriormente, alguém repreendeu seu comportamento, sua resposta foi: “Eu sempre faço por causa das pessoas”. Quando se tratava de Swami, ele dizia: “Swami! Eu estou fazendo apenas por Sua causa e não por causa das pessoas”. Sempre que nos lembramos do amor ilimitado de Swami concedido à nossa família, ficamos humildes e exultantes com nossa excepcional fortuna. Nossa família experimentou muitos milagres como prova da onipotência e onipresença de Swami.

 

Swami nunca irá deixar ou esquecer você
 

Meu pai serviu como presidente do Comitê Thyagaraja Utsava em Rajamahendravaram. Invariavelmente, sua performance era marcada no final das festividades todos os anos. Sri Mangalampalli Balamuralikrishna, Srirangam Gopalaratnam, Sri Nedunuri Krishnamurthy, Sri Nukala Chinna Sathyanarayana e outras celebridades costumavam participar dessas festividades. Essas celebrações eram realizadas em um palco erguido em frente ao Templo de Shiva, ao lado da casa de Sri Nidamarthi Sathyam, nas estradas transversais de Innispet, em Rajamahendravaram. No primeiro encontro com Swami, meu pai pediu-Lhe que visitasse Rajamahendravaram e que abençoasse as celebrações. Depois de terminar o Seu Discurso Divino, Swami perguntou ao meu pai: “Bangaru! Você gostou do Meu Discurso?” Eu ouvi essas palavras a uma pequena distância. Então entendi que Swami desce naturalmente ao nosso nível.
 
“Descer significa o que? Significa a descida de Deus à terra e ao nível dos seres humanos por amor e compaixão”, diz Bhagavan. Ele realmente desce ao nosso nível e age como um entre nós. Depois disso, por quase mais dez anos, aceitando o pedido de meu pai, Swami costumava vir a Rajamahendravaram e dar Seus Discursos Divinos durante as Celebrações Comemorativas de Thyagaraja. Em uma de suas cartas ao meu pai, Swami disse: “Achyutha Ramaiah! Estou muito satisfeito com os arranjos feitos para o bem dos devotos. Eu estou escrevendo esta carta de maneira apressada, pois estou ocupado. Vou escrever novamente em um momento livre. O que mais Eu desejo, além da felicidade de Meus devotos como vocês! Swami nunca irá deixá-lo ou esquecer-se de você”. E a última linha foi sublinhada por Ele. De fato, Swami respeitava e seguia as etiquetas, costumes e normas mundanas muito melhor do que nós, humanos. Respeitando nossas formalidades, Swami vem à nossa casa, fornece consolo e resolve os nossos problemas. Pode existir um momento mais angustiante na vida de um devoto do que quando ele se esquece de pensar em Swami? Swami está nos observando a cada momento. Ele está conosco em todos os momentos. Qual é o uso de várias adorações ritualísticas quando deixamos de olhar para Swami com amor?


Continuamos com o Burra Katha, mesmo após a morte de meu pai, e as pessoas gostam muito de ouvir as músicas de Swami através de nós. Assim, tem havido um forte vínculo entre nossa família, Swami, as canções devocionais Sai e a sociedade.
 

Em uma ocasião, meu pai esteve em Puttaparthi. Minha mãe o seguiu junto com sua criada. Swami chamou as duas senhoras para a entrevista. Quando meu pai tentou segui-las até a sala de entrevistas, Swami o impediu, dizendo: “Eu não chamei você; aguarde!". Na sala de entrevistas, Swami perguntou às duas senhoras por que elas haviam seguido Achyutha Ramaiah sem seu conhecimento. A criada corajosamente respondeu: “Swami! Sri Achyutha Ramaiah teve oito filhos. Ele está sempre envolvido em cantar ‘Swami, Swami’! Ele nunca se importa em economizar dinheiro. Ele gasta tudo o que ganha sem se importar com o futuro da família”. Swami então chamou Achyutha Ramaiah para dentro da sala e disse a ele sorrindo, na frente das duas mulheres: “Olhe! Até a sua criada está preocupada com a sua família! Você não deve negligenciar seu dever para com a família”.


Em seu último dia, antes do amanhecer, meu pai se levantou da cama para ouvir o Nagar Sankirtan, voltou e respirou pela última vez. A relação entre Deus e Seu devoto é de fato única.
 

Alguns meses antes de sua morte, meu pai, como de costume, foi convidado  para apresentar nas celebrações anuais de Thyagaraja, quando ele disse aos organizadores: “Eu não desta vez. Agora meus filhos estão totalmente prontos para realizar o Burra Katha. Por favor, deem-lhes uma chance”. Foi no décimo quarto dia após o falecimento do nosso pai que fizemos a nossa primeira apresentação.
 

Chegamos a Puttaparthi três dias antes do festival de Vijaya Dasami em outubro de 1970, com a convicção de ter Swami como nosso único refúgio! No primeiro dia, Swami olhou para nós enquanto estávamos sentados na fila do Darshan. Depois disso, durante três dias, Ele não olhou mais para nós. Ficamos preocupados com as nossas perspectivas de apresentação de Burra Katha na frente de Swami. Não tínhamos dinheiro nem para a viagem de volta.
 

Sabendo que Swami iria inaugurar um novo edifício do Hospital Geral, corremos para o local e nos posicionamos em um lugar estratégico. Enquanto cortava a fita, Swami olhou para nós e nos abençoou com um doce sorriso, por meio do qual nossa frágil confiança foi reforçada.
 

Na mesma noite, Swami chamou alguns dos membros mais antigos do Ashram e procurou saber se esses filhos jovens e novatos de Achyutha Ramaiah eram capazes de enfrentar a enorme multidão. Nenhum desses anciãos sabia com certeza sobre nossas habilidades. No entanto, Swami os instruiu dizendo: "Vamos começar com sua apresentação amanhã".
 

Nossa equipe de Burra Katha tinha minha irmã como a principal expoente, meu irmão como o argumentador-intérprete e eu como o questionador cômico.
 

Nós apresentamos o Srinivasa Kalyanam (o casamento auspicioso do Senhor Venkateswara) no Auditório Poornachandra no dia seguinte. Pela graça de Swami, tudo saiu bem. Swami expressou alegria pelo meu humor. Swami nos abençoou com a oportunidade de apresentar Burra Katha pelos próximos seis anos consecutivos.

Meu sequestro e proteção por Swami
 

Eu gostaria de narrar um pequeno incidente como um símbolo da compaixão de Swami em relação à nossa família. Fui interno no Rajahmundry Training College, a partir da sexta série. Para evitar circular o muro para chegar à escola, alguns alunos travessos fizeram um buraco na parede em um ponto estratégico. Eu também estava entrando na escola pelo buraco. Um dia, enquanto eu passava pelo buraco, de repente alguém cobriu minha cabeça com uma capuz, que me deixou  sem fôlego e logo fiquei inconsciente.


Quando recuperei a consciência, encontrei-me em um trem, que estava no momento atravessando a ponte Godavari. Olhando para uma pessoa que vigiava a porta, fiquei com muito medo. Corri em direção a um homem que era a única pessoa sentada do outro lado do compartimento. O cavalheiro me consolou e então esbravejou com o homem perverso, que fugiu assim que o trem chegou à estação de Kovvur. O cavalheiro conseguiu detalhes de mim e levou-me para a casa do meu cunhado em Kovvur.
 

Naquela época, meu irmão mais velho estava estudando na Escola Védica de Swami em Puttaparthi. Swami o chamou e disse: “Hoje de manhã, seu irmão foi sequestrado por malfeitores. Swami o salvou e o entregou a sua irmã”.
 

Uma coisa semelhante aconteceu durante as férias de verão seguintes. Nossa casa estava situada perto do templo de Shiva, na margem do Godavari. Um dia eu estava brincando perto do rio. Fui novamente encapuzado e colocado em um saco. Depois de um tempo, ouvi alguém dizer: "Eu estou vendo que algo está se movendo dentro do saco". A outra voz respondeu: "Há galos e galinhas dentro, senhor"! A primeira voz exigiu: "Abra!" Foi o mesmo homem perverso que me sequestrou anteriormente. Um policial me levou até o motorista de um trem e pediu que ele me deixasse na estação de Kovvur. Dessa vez também Swami informou meu irmão, na Escola Védica, sobre meu sequestro e proteção.
 

No dia de nossa primeira apresentação no Auditório Poornachandra, meu irmão me apresentou a Swami e disse: “Swami! Este é o menino que foi sequestrado”! Swami então respondeu: “Não uma vez, mas duas vezes Swami o salvou e o levou para casa em segurança”.
 

Este incidente foi um exemplo da onipresença de Swami. Não pode haver nenhuma preocupação quando Swami está cuidando de todas as nossas necessidades em todos os momentos!

 

Chuva da Graça Divina
 

Quando meu pai morreu logo depois de marcar o casamento de minha irmã, vocês sabem quais instruções Swami deu aos dirigentes da Organização Sai de Godavari Leste? Pediu-lhes que organizassem tudo relacionado ao casamento e que garantissem que nossa família não gastasse uma única rúpia. O casamento foi realmente realizado por eles em nossa própria casa, de uma maneira grandiosa. Swami havia providenciado tudo, incluindo sáris de seda, o sagrado Mangal Sutra (uma corrente de ouro contendo dois discos de ouro), uma corrente de ouro, uma prato de prata para lavar os pés do noivo, uma jarra de prata e muitas outras coisas. Depois de algum tempo, aconteceu que todos esses itens foram roubados e, surpreendentemente, apenas o Mangal Sutra foi recuperado.
 

Minha irmã mais nova acorda de manhã cedo e recita o Sai Gayatri todos os dias. Ela havia sido diagnosticada com um câncer grave de mama. Os médicos disseram que não havia necessidade de  medicação, pois ela iria morrer muito em breve. Isso aconteceu sete anos atrás. Com a graça de Swami e pela eficácia da recitação do Sai Gayatri, ela recuperou a sua saúde normal. O Dr. Raghuram, que realizou uma cirurgia nela, diz enfaticamente que foi a recitação do Sai Gayatri que a salvou das garras do câncer.
 

É impossível explicar como Swami tem protegido nossa família de inúmeras maneiras. Durante todo o tempo orei a Swami: “Não deixe a nossa família cair na miséria. Que não devamos nada a ninguém em qualquer momento de nossas vidas”! Swami realmente cumpriu esses desejos. É assim que Swami infunde a autoconfiança em seus devotos! Somente Sri Sathya Sai pode conceder isso. Não há outro refúgio além de Swami!
 

- O autor é um antigo devoto e expoente Burra Katha de Rajamahendravaram, Andhra Pradesh.

[1] [N.T.] Técnica narrativa oral na tradição de Katha, realizada em aldeias de Andhra Pradesh e Telangana. A trupe consiste em um artista principal e dois coadjuvantes. É um entretenimento narrativo que consiste em orações, drama solo, dança, canções, poemas etc.

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