Pessach

No primeiro mês (nissan), aos 14 dias do mês, às vésperas, é Pessach para o Senhor.

E aos 15 dias deste mês é a festa dos pães ázimos para o Senhor;

 por sete dias comereis pães ázimos.

(Lv. 23, 14-15). Assim se lê na Torá (Pentateuco).

O nome Pessach deriva do hebraico passach que  significa saltar, passar por cima, e assim se chama esta noite por ter o Anjo que matou os primogênitos dos egípcios passado sem se deter pelas casas dos hebreus, que, deste modo, foram poupados.

Pessach comemora a libertação dos judeus do cativeiro no Egito e isto lhe imprimiu um caráter especial: é a celebração da liberdade, a história da mobilização do povo para a conquista da liberdade. Para o povo judeu, recordar o  fato de “escapar do Egito” significa ultrapassar os limites naturais que impedem a realização de seu pleno potencial. O “Egito” de uma pessoa pode ser visível em seu egoísmo, desejos primitivos, vícios. Pessach é uma oportunidade de transcender as limitações e realizar o infinito potencial espiritual em cada aspecto da vida.

A comemoração de Pessach não foi sempre a mesma. Mudou com o passar dos tempos. Mas o essencial na epopeia judaica é a luta incessante pela liberdade. Tudo pode mudar, transformar-se. Mas o cerne e o eixo de tudo é a liberdade. O objetivo principal do Seder (jantar cerimonial) é incutir no judeu, desde menino, o amor à liberdade em seu sentido pleno.

No princípio, segundo historiadores, as comemorações de Pessach eram uma festa da primavera. Era uma festa agrícola que ampliou seu sentido. “Observa o mês da primavera e guarde o Pessach do Senhor teu Deus, pois no mês da primavera o Senhor teu Deus te tirou do Egito à noite” (Dt 16:1).

Desde o século I, após a expulsão dos judeus da sua terra, a comemoração de Pessach passou a ser decisiva, para que o povo não desaparecesse, cultivando a tradição de Pessach como luta pela liberdade (o que justifica, por toda a sua carga simbólica, ter sido mantida pelos Marranos através dos séculos, por exemplo). Quando Rabi Gamaliel instituiu o Seder, ele estava preocupado em manter viva a esperança do povo. Com o tempo foram acrescentadas lendas do povo à grande festa.

O  Seder é uma representação de um relato histórico, ao vivo, no seio de cada família, com um narrador, em geral o pai da família, o que se repete todos os anos em cada lar judeu. E na vida moderna urbana, quando os horários e ocupações não combinam, o Seder representa um novo papel. Pelo menos durante uma semana de reunião, a família repensa grandes temas pelos quais vale a pena lutar, como liberdade e esperança.

As principais mitzvot (preceitos)

Na noite de Pessach, as casas judias devem estar limpas e arrumadas, louças e talheres que foram usados durante o ano são postos de lado e tira-se dos armários o serviço destinado a esta festa. Se a casa não tem dois serviços, todas as panelas que são de uso ordinário são escaldadas, “casherizadas”.

Na antevéspera, ao por do sol, a dona de casa limpa todo vestígio de pão, massa ou qualquer fermento, e à noite, segue-se o pai na procura do hametz (designação genérica para toda comida e bebida feita de trigo, cevada,  etc., proibidos de se comer em Pessach, pois são levedados). Daí em diante, por oito dias, ou por nove, contando a véspera, não entrarão nas casas judias massas  fermentadas.

Na véspera de Pessach os primogênitos costumam jejuar em lembrança de terem sido poupados pelo Anjo.

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