Mahasamadhi de Sathya Sai
Compilação de mensagens sobre o Mahasamadhi

Deus é sem forma e sem atributos.

 

   São os devotos que atribuem a Ele alguns nomes, formas e qualidades e sentem-se satisfeitos. Todos os nomes e formas são “anithya” e “asathya” (evanescentes e falsos). A única, eterna e verdadeira forma de Deus é o Atma. Todas as coisas no mundo podem mudar; mas o Atma nunca sofrerá uma mudança. O universo inteiro está contido no Atma. Isso também é chamado consciência divina ou Aham, ou Brahman. As pessoas entendem mal essa verdade eterna, atribuindo-lhe muitos nomes e formas.

 

Quando o Deus sem forma assume uma forma, é natural que o ser humano medite sobre ela e O adore naquela forma.

 

   As pessoas obtêm grande satisfação e experimentam a bem-aventurança fazendo isso. Está tudo bem enquanto dura aquela forma. Uma vez que a forma divina deixa de existir, o que você fará? A felicidade e a bem-aventurança derivadas da adoração de determinada forma de Deus nasceu somente da sua ilusão.

 

   As vestimentas físicas duram por um determinado período e então deixam de existir. Depois, a divindade assume diferentes formas. Por exemplo, você agora está apegado a este corpo físico. Você adora este corpo e recebe grande satisfação e bem-aventurança por isso. Mas, depois de algum tempo, este corpo pode desaparecer como o avatar anterior. Então, vocês não devem ficar tristes.

 

Quando o divino Atma encarnado neste corpo físico alcança a sua morada eterna, é motivo de alegria e não de tristeza.

 

   Na Tretha Yuga o avatar Rama veio. Ele foi para o exílio na floresta e destruiu vários demônios, inclusive a grande rei rakshasa (demônio) Ravana. Tendo finalmente cumprido a sua missão avatárica, Ele entrou no rio Sarayu e desapareceu. Aconteceu o mesmo com o Senhor Krishna na Dwapara Yuga, ele deixou os seus restos mortais após ser atingido pela flecha de um caçador na floresta. Portanto, os invólucros físicos são sempre temporários e irreais.

 

O corpo é feito de cinco elementos e está destinado a perecer cedo ou tarde.

 

   Mas, o morador interno não tem nascimento nem morte. O morador interno não tem apego a nada e é a eterna testemunha. Falando verdadeiramente, o morador interno, que é a forma do Atma, é realmente o próprio Deus.

 

   Portanto, nunca considerem o corpo físico como permanente. Os corpos desaparecem conforme o tempo e as circunstâncias. Uma vez terminado o tempo prescrito, eles apenas desaparecem. Até mesmo as experiências ganhas pelo corpo físico desaparecem.

 

   Considerando os corpos físicos como verdadeiros, se vocês querem ter o darshan do Senhor Krishna da Dwapara Yuga agora, como isso é possível? Enquanto Ele caminhou naquele corpo, Ele apareceu em Mathura, Brindavan, Gokul, Dwaraka etc. e fez as pessoas felizes com Seu darshan, sparshan e sambhasan (visão, contato e fala).

 

   Pegue o exemplo de uma lâmpada elétrica. Cada lâmpada tem voltagem separada, a qual dura por um determinado período de tempo. Os avatares são como essas lâmpadas elétricas. Terminado um período, Deus encarnou como muitos avatares.

 

   Não seja apegado a uma forma física de um avatar em particular, mas à divindade como sem forma, sem atributos, Parabrahma, a qual se manifestou como diferentes avatares em diferentes eras.

 

   Vocês nasceram como um bebê e cresceram como uma criança, um jovem e uma pessoa idosa. Todos esses diferentes estágios da vida são somente por um período limitado, mas vocês como indivíduos estão lá em todas as diferentes etapas. Os avatares vêm, cumprem as suas missões e desaparecem. Por isso, vocês devem meditar na divindade, a qual é verdadeira e eterna.

Sai Baba - 23/02/2009

 

O Exemplo do Mais Alto Tipo de Desapego

 

   A devoção e a atitude de entrega incondicional, que é o seu fruto final, lhes darão grande coragem para enfrentar qualquer emergência; tal coragem é chamada de renúncia. A narrativa sobre Mohajith é um bom exemplo deste mais alto tipo de desapego.

 

   Mohajith, o príncipe, foi a um sábio na floresta e pediu-lhe orientação no caminho espiritual.

 

   O sábio perguntou-lhe se já havia dominado o apego, como seu nome indicava. O príncipe disse que não apenas ele, mas todos no seu reino haviam superado o apego! Então o sábio começou a testar a veracidade de sua afirmação. Ele tomou as roupas do príncipe, ensopou-as em sangue e foi até os portões do palácio com a horrível história do seu assassinato por rufiões na floresta. A serviçal que ele encontrou recusou-se a sair correndo para levar a notícia aos aposentos reais, dizendo: “Ele nasceu, ele morreu. Qual é a urgência especial desta notícia para que eu interrompa minha rotina de trabalho e corra até o rei e a rainha?” Quando, finalmente, ele conseguiu uma audiência e pode comunicar a triste notícia ao pai, este se sentou sereno, sussurrando para si mesmo, “O pássaro voou da árvore em que havia pousado para descansar.” A rainha também se mostrou inabalável. Ela disse ao sábio que esta Terra é um abrigo para caravanas, em que os homens vêm, ficam por uma noite e, ao chegar do amanhecer, um a um partem por diferentes caminhos. 

 

    Amigos e parentes são as palavras que usamos para o apego cultivado entre os viajantes no acampamento, durante o curto tempo em que se conhecem. A esposa do príncipe “morto” também se mostrou imperturbável. Ela disse: “Esposa e marido são como dois pedaços de madeira descendo um rio inundado; eles flutuam juntos por algum tempo e quando alguma corrente se interpõe, eles são separados: cada um deve seguir para o mar no seu próprio ritmo e no seu próprio tempo. Não há necessidade de pesar pela separação dos dois; é da própria essência da natureza que assim seja.”

 

   O sábio não cabia em si de alegria ao ver este firme e sincero desapego nos governantes e governados. Ele voltou à floresta e disse ao príncipe que, enquanto estivera fora, um exército hostil invadira o reino, assassinara toda a família real, capturara seus domínios e escravizara seus súditos. O príncipe recebeu as notícias calmamente e disse: “Tudo isso são bolhas, impermanentes, inconsistentes. Deixe-as seguir seu caminho de bolhas. Guie-me para que eu possa atingir o Infinito, o Imperecível.” Tal coragem provém da Graça do Senhor; são necessárias gerações de aprendizado e esforço. Por ora, vocês devem começar com o primeiro passo, a limpeza da mente e o cultivo de virtudes.

Palavras de Sathya Sai - Vol. 01 - Discurso 02 - 12/1999

© © 2016-2019 Organização Internacional Sathya Sai do Brasil. Todos os direitos reservados.