Dia de Krishna
Compilação de discursos por ocasião do Dia de Krishna

O Senhor Krishna era a Encarnação da Divindade onisciente e onipotente e, no entanto, Ele foi o cocheiro da carruagem de Arjuna.

Krishna foi Aquele que reconheceu e demonstrou a importância do serviço à comunidade e aos outros através do Seu próprio exemplo. Após a batalha do Mahabharata, foram estas duas pessoas, Krishna e Balarama, que levaram os cavalos ao rio, lavando-os e cuidando de suas feridas e aplicando-lhes remédios. Desta forma demonstraram que o trabalho árduo e a compaixão para com todos os seres vivos é uma obrigação de todos os seres humanos...

Como um ser humano, o poder divino presente nEle pode ser mais bem visto no Mahabharata, do que no Bhagavata.

No Bhagavata, Ele estava apenas realizando algumas lilas (jogos divinos) infantis, mas no Mahabharata Ele revelou uma combinação ímpar da natureza humana com a divina. A fim de proclamar e estabelecer o dharma, de tempos em tempos, Ele mesmo afirmou na Gita que viria repetidas vezes. Está dito que Ele aparecerá e reaparecerá toda vez que o dharma enfraquecer. Ele aparece para salvar os bons, punir os maus e restabelecer o dharma declinante.

Aqui precisamos compreender o que o dharma é.

Se o dharma é passível de destruição, então por que deveria a encarnação do dharma, Deus, reaparecer para estabelecer o dharma? Se o dharma puder desaparecer como todas as demais coisas perecíveis, então não será de maneira alguma o dharma. Dharma não é algo que possa ser destruído ou enfraquecido.

Devemos interpretar isto como o estabelecimento da prática do dharma e não do estabelecimento do próprio dharma. O que está declinando é a prática do dharma, mas não o próprio.

Na vitória, Krishna era o cocheiro do carro em que se encontrava Arjuna.

Após a vitória, eles retornaram à mansão de Arjuna. Este estava investido de sua natureza humana e de um pequeno resquício de ego. Como é costume, até nos dias de hoje, espera-se que o condutor do carro abra a porta do mesmo quando seu dono for descer. Analogamente, quando o carro estacionou diante de sua casa, Arjuna insistiu para que Krishna descesse primeiro e abrisse a porta. Ele não concordou com isto e, de fato, usando uma linguagem um tanto enérgica, repreendeu Arjuna e pediu-lhe que descesse primeiro e entrasse em casa. Não compreendendo o significado subjacente do que lhe parecia uma ordem, Arjuna ainda ensejou uma discussão com Krishna, mas acreditando que a vitória na batalha estivera do seu lado devido a Krishna e receoso de que algum perigo lhe pudesse advir caso ele se envolvesse numa discussão com Krishna, relutantemente, finalmente aceitou o que o outro ordenara. Assim que Arjuna desceu do carro e entrou em casa, Krishna, num pulo, saltou para fora do carro. No instante em que Krishna pulou, todo o carro foi envolto em chamas. Todos os Pandavas que testemunharam isto ficaram estupefatos e perguntaram a Krishna por que o carro havia queimado assim. Então Krishna explicou que durante a batalha armas muito poderosas haviam sido lançadas por heróis como Karna, Bishma e outros e que todas estas armas haviam sido controladas e mantidas sob Seus Pés. Se Ele tivesse descido primeiro, as armas teriam explodido, matando Arjuna e todos os demais. Krishna explicou que esta fora a razão de haver pedido a Arjuna para saltar primeiro e dEle haver saltado depois.

 

A fim de salvar os devotos, Deus planeja ações muito diferentes e de modos muito diversos.

Os devotos, não sendo capazes de reconhecer e entender o significado intrínseco do que lhes está sendo transmitido através de tais ações, compreendem-nas equivocadamente e pensam que Deus lhes está criando dificuldades desnecessárias. O homem só tem visão exterior. Deus tem visão interior.

Paramathma está sempre cuidando do bem-estar de seu povo e o que quer que faça, Ele o faz para o bem de Seus devotos.

Mesmo que um filho tenha sido criado com muito cuidado pela mãe, se cometer algum erro será por ela punido com um tapa. Ao vermos isto, sentimos que a mãe que criou seu filho com tanto cuidado, amor e carinho é muito severa ao bater na criança; contudo ela o faz com afeição. Semelhantemente, Deus, o pai universal, punirá os devotos quando for necessário, mas sempre com Amor. Consequentemente, não devemos ficar imaginando que Deus está querendo punir as pessoas. Deus é sempre cheio de graça. Ele nunca se zanga. Entretanto, às vezes, usa palavras que são duras, mas Ele não é ríspido. Seu coração é terno como amrita...

O prazer vem da dor. Deveríamos reconhecer que toda dor acabará inevitavelmente em prazer.

Porque os Pandavas permaneceram na floresta por doze anos e ainda se esconderam por mais um ano a fim de não serem reconhecidos, as pessoas tiveram a oportunidade de ver suas qualidades divinas...

Até mesmo um diamante de qualidade não obtém seu valor a menos que suas arestas sejam lapidadas.

O próprio ouro puro não se transformará num bonito ornamento a menos que seja repetidamente malhado e colocado no fogo. Em todas as dores e tribulações devemos reconhecer apenas caminhos para obtermos a suprema felicidade. Portanto, devemos estar preparados para aceitarmos o pagamento. Ver apenas o prazer e não aceitar de bom grado as dores não é correto...

Este não era um amor que existia em mão única.

Também os Pandavas consideravam Krishna como suas próprias vidas. É apenas como consequência do grande Amor que os Pandavas tinham por Krishna que tal relacionamento existia em mão dupla. O tipo de árvore que brotará será determinado pela natureza da semente. O odor que a pessoa sentirá quando arrotar dependerá do que ela comer. O tipo de bolo que você terá será determinado pelo tipo de farinha que usar para fazer o bolo...

Porque os Pandavas tinham tal fé e afeição em relação a Krishna, Ele, por Sua vez, estava sempre protegendo-os. O tipo de ligação que existe entre Deus e Seus devotos é sempre fortalecido pelos laços de Amor.

(Sai Baba - Rosas de Verão nas Montanhas Azuis - 1976)

Aquilo que o Senhor faz é para o bem-estar do mundo. Seu único interesse é o bem-estar do mundo. Esta é a razão pela qual a Índia proclama desde tempos imemoriais:

“Que todos os seres do mundo sejam felizes”.

Um momento de cólera pode consumir a energia acumulada em seis meses de alimentação.

Por muitas eras, indivíduos maus têm se comportado de maneira igual aos Kauravas e encontrado o destino que merecem. Não existe escapatória para ninguém das consequências de suas ações. A morte pode vir a qualquer momento, em qualquer lugar, de qualquer forma. Ninguém pode dizer a hora e a maneira da morte de alguém. Ela é pré-estabelecida. Não faz sentido analisar os prós e os contras de tais acontecimentos. Até mesmo bons devotos às vezes desenvolvem dúvidas quanto a isso e argumentam sobre tolices. Krishna já tinha decidido matar Jarasandha. Mas sempre que Jarasandha saía de sua cidade para lutar contra Krishna, este ia embora do local da batalha. Estaria Krishna com medo de Jarasandha? Absolutamente não. Mas Krishna queria encontrar meios apropriados para dominar Jarasandha, segundo sua estratégia. Ele desafiava Jarasandha, este se encolerizava e depois saía para persegui-lO. Então, Krishna se retirava mais e mais. Ao repetir várias vezes essa tática, Jarasandha foi levado a gastar suas energias em uma cólera vã.  A energia do homem é consideravelmente reduzida pela raiva. A duração da vida do homem é cortada em pedaços pela tesoura da inveja, da raiva e do ódio. A inveja é a principal causa do encurtamento da vida humana: quando um homem se encoleriza, todo o seu corpo treme. Seu sangue esquenta. Leva três meses para o sangue voltar a esfriar. Um momento de cólera pode consumir a energia acumulada em seis meses de alimentação. Esta é a forma como a raiva debilita uma pessoa. Assim, com a sistemática debilitação de Jarasandha, Krishna conseguiu seu objetivo final...

Só o Senhor é o salvador dos desprotegidos e dos desamparados.

Em nenhuma circunstância vacilem em sua fé no Senhor. Prossigam nas suas tarefas com fé e determinação. Deus testa as pessoas de muitas maneiras. Isto é destinado unicamente a promover o seu progresso espiritual.

(Sai Baba - 10/08/1993)

Quando Krishna realmente nasceu?

Ele nasceu 3228 anos antes da era cristã no dia 20 de julho às 3 da manhã. Como estamos em 2001 D.C., hoje Ele teria 5229 anos de idade. No mês auspicioso de Sravana, na quinzena mais brilhante (Bahula-paksha), no dia de Ashtami (8° dia da fase da lua) sob a estrela Rohini, a criança divina nasceu. Esta confluência de Ashtami e Rohini resultou na ocorrência de muitos eventos maravilhosos...

Assim que Ele cresceu, começou a levar as vacas para pastar todo dia na floresta junto com outros meninos vaqueiros.

Um dia como eles estavam entretidos em jogar, as vacas foram para uma outra floresta. De repente surgiu uma grande onda de chamas na floresta. Assustadas pelo fogo, as vaqueirinhas começaram a rezar para Krishna salvá-las e às suas vacas. Krishna dispersou o medo delas dizendo que tudo estaria bem e que fechassem seus olhos por algum tempo. As vaqueirinhas nunca desobedeciam Krishna e fizeram como Ele disse. Depois de certo tempo, o fogo furioso estava apagado e as vacas começaram a retornar seguramente. Maravilhadas com esta experiência, as vaqueirinhas foram compartilhar este milagre com outros na aldeia. Eles disseram: "Krishna não é um ser comum, Ele é verdadeiramente Deus, pois não é possível para alguém realizar tal milagre."...

Os milagres de Krishna eram de dois tipos, primeiramente para proteger o bondoso e, em segundo lugar, para destruir o mal.

Um dia uma senhora trouxe algumas frutas em um pano para vendê-las.

Naqueles dias não existia nenhuma transação monetária, existia apenas o sistema de permuta. As frutas tinham que ser compradas em troca de cereais. Krishna e Balarama apareceram. Ela ficou perdida em bem-aventurança vendo Suas belas formas. Ela chamou-Os para perto, selecionou algumas boas frutas e Lhes deu. Krishna disse que tinha comido suas frutas, mas tinha que dar algo em retorno por elas. Então, Ele foi dentro da casa, e com Suas mãos de criança trouxe alguns grãos de arroz e até a metade Ele derramou pelo caminho. A velha mulher recebeu os poucos grãos que sobraram nas mãos de Krishna em seu pano. Ela deu pouca atenção ao oferecimento da criança divina. Em sua troca diária de fruta por grãos, ela dificilmente olhava um pequeno oferecimento das mãos de uma criança. Quando ela foi para casa e abriu seu pacote se espantou! Todos os grãos de arroz tinham se transformado em diamantes brilhantes. Tal é a natureza dos atos maravilhosos do Avatar. Seu significado é maravilhoso e está além da percepção da mente humana.

Como as Upanishads dizem: "Estas são de uma natureza onde as palavras e pensamentos repercutem na futilidade sem compreendê-los". (Verso em Sânscrito)

A natureza divina de Krishna era experimentada e apreciada pelos encarregados do rebanho. Viver naqueles dias era essencialmente sagrado.

As pessoas estavam engajadas em atividades abnegadas em lugar de ações egoístas. Todos estavam sempre engajados em ajudar os outros e nunca em machucar. Desta maneira, eles podiam reconhecer diretamente a Divindade. Então, nós devíamos sempre dirigir nossas atividades de uma maneira abnegada e nunca cair no egoísmo. Como Eu frequentemente digo: ajudar sempre, ferir jamais. Como as vaqueirinhas constantemente estavam agindo desta maneira, muitas notaram a natureza maravilhosa da criança Krishna...

 

Tomem parte em bons trabalhos. Amem até mesmo aqueles que ofendem vocês.

Eu sou um exemplo para isto. Minha vida é Minha mensagem. Vocês deveriam seguir o mesmo. O bem se choca com vários obstáculos. As árvores frutíferas têm pedras atiradas nelas. Semelhantemente, boas pessoas recebem ofensas. Isto não deve nos fazer oscilar. O diamante bruto adquire valor quando é cortado e lapidado. Da mesma forma, as ofensas se transformam em ornamentos. Consequentemente, devemos desconsiderar a ofensa e nos apegarmos firmemente aos nossos ideais íntegros.

“Que todos os seres sejam felizes”

Esta é a nossa meta. Não busquem sua própria felicidade; almejem o bem-estar do universo inteiro. Abandonem o egoísmo, procurem o bem-estar dos outros e alcancem a meta suprema. Esta é a verdadeira educação.

(Sai Baba - 11/08/2001)

Santifiquem seus sentidos servindo a todos.

Se mantiverem controle sobre seus sentidos, poderão alcançar qualquer coisa na vida. Se Deus não estiver contente com vocês, vocês serão desprezados por todos no mundo. Vocês podem pensar que deram dez sacos de arroz em caridade e distribuíram roupas a quinhentas pessoas. Tais contas devem ser submetidas ao Imposto de Renda e não a Deus. Deus não está interessado em quantidade, Ele vê o sentimento por trás de suas ações. Assim, qualquer que seja o ato de caridade que vocês realizem, façam-no com espírito de amor e sacrifício.

(Sai Baba - 22/08/2000)

Onde quer que haja um coração puro disponível, Krishna o toma para si.

Certo dia, Yasoda repreendeu o menino Krishna, dizendo: “Ó meu querido Krishna! Você não come a comida que eu preparo para você. Vai para as casas das vizinhas e come, sorrateiramente, a manteiga armazenada por elas. Por acaso a manteiga repleta do amor materno não é gostosa para você?” Assim dizendo, ela amarrou Krishna a um pilão, com uma corda. É conhecido de todos o fato de que não gostamos da comida feita em casa. Os pratos preparados nas outras casas sempre parecerão mais gostosos. Isto é muito natural. No entanto, Krishna não roubava manteiga das casas alheias por causa do sabor. Há uma mensagem oculta nessa brincadeira divina. Aqui, a manteiga simboliza o coração puro. Onde quer que haja um coração puro disponível, Krishna o toma para si. Esse coração puro deve ser doce e suave. Os corações das gopis eram repletos de devoção. Eles eram puros, doces e suaves. Então Krishna havia ido às suas casas, roubar seus corações.

Krishna é chamado de ladrão. O que Ele rouba? Ele rouba os corações amanteigados das gopis, que são puros, suaves e doces. Se você chamar alguém de ladrão, será uma ofensa. Mas, se chamar Krishna de “chiththa chora” – ladrão de consciências ou ladrão do coração, Ele gostará do apelido. Por esta razão, os devotos cantam em louvor ao Senhor:

Chiththa Chora Yasoda Ke Bal!

Navanita Chora Gopal!

Gopal, Gopal, Gopal!

Govardhana Dhara Gopal!

Essa música, cantada melodiosamente, com sentimento, musicalidade e ritmo será do agrado de qualquer um. Os grandes santos cantores como Thyagaraja, fizeram doces oferendas a Deus na forma de kirtans repletos de sentimento, melodia e ritmo, conquistando a Sua Graça. Há tanta doçura nessas canções devocionais. A Graça de Deus, com certeza, será obtida cantando-se com essa devoção...

 

A bem-aventurança Divina desfrutada pelas gopis durante o Advento do Avatar Krishna não tem paralelo.

Por isso, lembrem-se dessa Divina Bem-aventurança e tentem agradar a Deus com seu amor e devoção. Em nenhum outro Avatar os devotos mergulharam tanto no Divino Amor quanto na Era de Krishna. Milhares de devotos fundiram-se com Sri Krishna durante Seu período na Terra. Então, se desejam fundir-se com a Divindade, o cântico devocional é o único meio. Diz-se que Deus é ganapriya, ou seja, que se agrada da canção devocional. O Avatar Krishna é o melhor exemplo dessa declaração. O simples nome “Krishna” cantado por um devoto é suficiente para comovê-lO. As brincadeiras, curas e milagres realizados pelo Senhor Krishna durante o Seu período como Avatar não têm igual...

Nada existe que seja superior ao cântico devocional.

... Por isso, cantem essas canções inspiradoras, com sentimento, melodia e ritmo para agradarem a Deus e obterem Sua Graça. Vocês podem cantar qualquer quantidade de canções, mas só quando elas forem repletas de intenso amor, devoção e doçura, vocês conseguirão obter felicidade e alegria.

(Sai Baba - 06/09/04 - manhã)

O que é pecado? Ferir, ofender e matar alguém é pecado. O que é mérito? Ajudar os outros é mérito.

Por isso, o indivíduo não deve retaliar um ato maligno com outro ato maligno. Em lugar disto, deve ser magnânimo e perdoar quem o ofendeu. Há muitos ensinamentos sagrados como este no Mahabharatha.

(Sai Baba - 06/09/2004 - tarde)

Quando vocês procuram abrigo nos pés do Senhor podem assegurar a visão da forma divina.

Eis um pequeno exemplo da infância do Senhor Krishna em Gokulam, para mostrar o significado dos pés do Senhor.

Krishna era conhecido como aquele que costumava roubar manteiga de todas as casas para, além de comê-la, alimentar seus amigos e companheiros. Como havia muita reclamação dessa criança travessa, a mãe de Krishna, Yashoda, um dia segurou-O quando Ele estava fugindo de uma travessura e perguntou-Lhe: “Porque Você está roubando a manteiga de outras casas se eu Lhe dou tanto em casa? Sua boca sempre cheira a manteiga. Desista desse hábito, ou eu O amarrarei para impedi-lO de sair. Como Você pode fazer tal coisa sendo ainda uma criança tão pequena?”

Ele sorriu e saiu correndo enquanto Yashoda O procurava de casa em casa.

Krishna usou então um pequeno truque para que ela O achasse. Ele sabia que Yashoda não podia andar rápido porque tinha um corpo pesado e não conseguiria segui-lO. Então mergulhou Seus pés no leite guardado no pote de uma casa e de lá fugiu, deixando as pegadas no chão. Foi assim, com a ajuda das próprias pegadas de Krishna que ela foi capaz de encontrá-lO. Como ela estava muito ansiosa para encontrá-lO, o próprio Krishna ajudou-a. Yashoda foi capaz de capturar o Senhor através de Seus pés.

Os pés do Senhor são gloriosos de muitas maneiras, mas o culto a eles só conferirá bênçãos se eles forem olhados com muita fé.

 

(Sai Baba - 07/10/1993)

Palavras de Krishna a Arjuna:

Em verdade, te digo, amo aquele que não odeia a ninguém e a ninguém faz mal, mas é amigo e amante de toda a Natureza, e aquele que é bondoso, livre de vaidade, orgulho e egoísmo e conserva sempre a equanimidade, sendo paciente na desventura.

Amo aquele que é sempre constante, afável e piedoso, manso de coração e firme de vontade, e cujos pensamentos em Mim se concentram.

 

Amo aquele que não tem cuidados mundanos, não teme o mundo e não é tímido; quem é livre de turbulência, da cólera, impaciência e medo, e não se entrega à tristeza nem à alegria excessiva.

 

Amo aquele que não tem preconceitos, que é justo e puro, imparcial, confidente, livre de toda ânsia, e nunca desespera.

 

Amo aquele que não se apaixona, nem odeia, não se entristece nem cobiça, e desapega-se das ações tanto boas como más.

 

Amo aquele que igualmente considera o amigo e o inimigo, os honrados e os desprezados, e com igual ânimo suporta o calor e o frio, o prazer e a dor, a nada se apegando.

 

Amo aquele que não murmura contra o destino, que não se importa se o mundo o louva ou o censura, em todo lugar está contente e, firme em seu propósito, em espírito Me adora.

 

Porém, os mais amados Meus são aqueles que praticam, qual indiquei, esta bendita e jamais falível Yoga ou União, com fervor e amor tal, que não vejam nenhum outro ideal superior.

(Bhagavad Gita, capítulo XII, 13-20)

Escuta de novo, e ouve Minha última palavra, referente ao maior de todos os mistérios. Por seres o Meu muito amado, Eu te digo aquilo que te convém.

Fixa tua mente em Mim; sê Meu devoto; serve-Me; prostra-te diante de Mim, e desse modo chegarás até Mim. Esta é a pura verdade, Eu te declaro, pois és Meu muito amado.

Desiste de todas as obrigações religiosas, e toma-Me como teu único refúgio. Eu te libertarei de todas as dificuldades. Não te aflijas.

 

Disto não digas nada ao mundano, nem ao ímpio, nem ao que não quer ouvir, nem ao que Me maldiz.

Mas quem com sublime devoção divulgar este Segredo entre Meus devotos chegará até Mim sem dúvida alguma.

Entre os homens ninguém poderá oferecer-Me serviço mais grato que este, nem nenhum outro homem será tão amado por Mim na terra.

 

E quem meditar neste nosso Santo Colóquio, por meio dele Me adorará com o sacrifício da Sabedoria. Tal é a Minha vontade.

 

E também o homem que, cheio de fé, o escutar tão só sem malícia, alcançará, livre do mal, o esplendente mundo dos justos.

 

(Bhagavad Gita, capítulo XVIII, 64-71)

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