Akhanda Bhajan
Compilação de discursos por ocasião do Akhanda Bhajan

Festividade instituída por Sathya Sai Baba em 1975, por ocasião de seu 50º Aniversário, a pedido de seus devotos, para ser efetuada nos Centros Sai de todo o mundo, consistindo em 24 horas de cantos devocionais ininterruptos pela paz.

 

Em Seu discurso de 14 de novembro de 1976, Swami fala sobre o significado do Akhanda Bhajan:

 

No dia 23 de novembro do ano passado, pessoas de todas as partes do mundo se reuniram aqui para celebrar o Jubileu de Ouro e os dirigentes dos Centros estiveram aqui para a Segunda Conferência Mundial e outros eventos. Mais tarde, eles expressaram seu desejo de que lhes fosse concedida uma data antes do encerramento do Ano do Jubileu, para que em seus próprios locais de origem, pudessem celebrar a feliz ocasião. Para não desapontá-los, foi decidido que, em todos os Centros do mundo, acontecessem cânticos devocionais em grupo por vinte e quatro horas sem parar, começando às 18h30min de ontem – sábado – e terminando às 18h30min de hoje. Por isso, em 42 países por todo o globo, mais de 7.000 Centros participaram entusiasticamente desse agradável compromisso. Isto recebeu o nome de Akhanda Bhajan, que quer dizer cantar bhajan sem interrupção. Mas, o que aconteceu foi realmente Akhanda Bhajan? Começou às 18h30min de um dia e se encerrou às 18h30min do dia seguinte. Podemos chamar isto de bhajan “ininterrupto?” O que é um período de 24 horas quando consideramos a vastidão do Universo e a eternidade do tempo? É só um piscar de olhos, uma parte mínima da vida do homem na Terra.  Ao participarem da recitação do Nome de Deus por um único dia, vocês declaram ter realizado bhajan “sem interrupção!” Akhanda Bhajan deve ser tão contínuo quanto a própria respiração se queremos que mereça esse nome.

 

Vocês devem investigar o real significado do Sankirtan do qual participaram. Kirtan é “cantar em voz alta a Glória de Deus.” Sankirtan é o ato de cantar que tem origem no coração, não nos lábios ou na língua. É a expressão da emoção alegre que brota do coração quando a Glória de Deus é lembrada. É a manifestação espontânea do êxtase interior. Não se dá nenhuma atenção à crítica ou ao elogio que outros possam manifestar. Não se busca a admiração ou a apreciação dos ouvintes. É cantado para a alegria do próprio indivíduo, para a sua própria satisfação e deleite. Só um Kirtan desse tipo merece o nome Sankirtan. O Namasankirtan pode purificar a atmosfera. Cantar esse intenso anseio por Deus e desfrutar da experiência de adorá-lo ajuda a purificar a atmosfera. O homem, atualmente, é forçado a respirar o ar poluído por sons que denotam violência, ódio, crueldade e perversidade. Por essa razão ele está se afastando rapidamente das altas realizações que lhe estão destinadas. As vibrações dos namasankirtans – das recitações sinceras do Nome do Senhor – podem limpar a atmosfera, deixando-a pura, calma e enobrecedora. É com esse elevado propósito em vista que este programa de Namasankirtan global foi concebido. Nenhum homem pode escapar da influência da poluição do ar que ele respira. Os sons que produzimos, com boas ou más intenções, espalham-se pelo ar à nossa volta. Essa é a nossa experiência diária. Os sons produzidos pelas estações de rádio passam através da atmosfera e alcançam nossos lares, onde os sintonizamos. As vibrações viajam grandes distâncias e afetam a natureza daqueles que as inalam. A atmosfera afeta também a comida que o homem consome. A poluição da atmosfera é absorvida pelas plantas, que fornecem os grãos, que constituem a base das refeições; estas, por sua vez, moldam o caráter e o comportamento da pessoa que as consome. Quando o ambiente está limpo e livre de vibrações malignas, a comida também é pura e a pessoa desenvolve a tendência a ser amorosa e simples. É para assegurar que a atmosfera fique assim, que esse esforço espiritual, esse sadhana teve início em todo o mundo.

 

A oração deve sair como um grito vindo do coração. Quando um homem cai dentro de um poço, de que lhe serve controlar sua voz e suas emoções, sussurrando baixinho: “Eu caí neste poço, eu caí neste poço. Estou em perigo. Por favor, me salvem?” Ninguém será capaz de ouvi-lo e salvá-lo. Ele precisa gritar a plenos pulmões, com toda a angústia que está vivenciando e com o extremo desejo de ser salvo: “EU CAÍ NO POÇO! SALVEM-ME! ALGUÉM ME SALVE!” Então poderá ter a esperança de ser socorrido.

 

Assim também acontece quando vocês são apanhados no emaranhado deste mundo, quando caem neste profundo poço da miséria mundana: gritem com toda a sua força, com todo o seu coração, para que possam ser salvos por Deus. De nada serve murmurarem de forma fraca e sem emoção: “Salve-me, salve-me; eu estou afundando nesse mar da vida mundana.” Quando a oração sair como um grito vindo do coração, a ajuda estará assegurada.

 

Aqueles que só confiam na razão ou nas limitadas leis da ciência argumentam que a repetição do Nome que, afinal, é apenas som, não pode purificar ou corrigir a mente do homem. Porém, o Nome não é apenas “som.” Vocês estão aqui, quietos, sentados e escutando, mas, se alguém simplesmente gritar: “escorpião,” vocês se assustarão. Ou, caso alguém diga: “suco de limão”, começarão a salivar. Vocês podem estar sentados diante de um prato cheio de delícias, mas se alguém falar algo sujo ou desagradável, vocês certamente recusarão a comida. O mero som cria muita reação!

 

Não procurem descobrir o mal nos outros. Quando as palavras referentes a situações comuns têm tal efeito transformador na mente do homem, aquelas que transmitem significados espirituais e elevados certamente ajudarão a purificar e corrigir suas mentes. Quando enchemos o ar com aspereza, nossa natureza se torna áspera. Quando enchemos a atmosfera de ódio, nós temos, forçosamente, que respirar o ar e sermos odiados também. Quando saturamos o ar com sons cheios de reverência, humildade, amor, coragem, autoconfiança e tolerância, nós mesmos nos beneficiaremos dessas qualidades.

 

O coração é um filme e a mente é a lente; vire a lente em direção ao mundo e imagens mundanas entrarão no coração. Vire a lente em direção a Deus e ela transmitirá imagens do Divino. Portanto, façam sempre o bem, vejam o bem, lembrem-se do bem e sejam bons. Não procurem descobrir ou discutir o mal que há nos outros pois a tentativa poluirá a sua própria mente. Quando vocês se envolvem na procura das faltas e falhas dos outros, estão pavimentando a estrada para desenvolver essas mesmas falhas e faltas em si. Contemplem o bem nos outros e, com o tempo, isso se tornará uma vantagem para vocês. A bondade latente em vocês será encorajada a brotar e florescer. Cada pensamento deixa uma impressão na mente Quando vocês rezam: “Swami, apareça no meu sonho hoje à noite,” há uma chance de que possam ter a sorte de ver Swami em seu sonho. Mas, se rezarem, com a atenção fixa em coisas ruins: “Swami, não permita que um porco ou um asno apareçam em meu sonho esta noite” é quase certo que verão um porco ou um asno em seu sonho. Porque dar atenção indevida a coisas de que não necessitam e que não lhes trarão benefício algum? Cada pensamento deixa uma impressão na mente; então, estejam sempre alertas, a fim de evitarem o contato com o mal.

 

As idéias opostas às tendências espirituais que estreitam os limites do amor, que provocam raiva ou cobiça, que causam desgosto – todas devem ser abandonadas.  Para o aspirante espiritual, essa é uma disciplina essencial. Ele deve sublimar esse tipo de pensamentos antes que eles causem um impacto na mente. Deve concentrar-se na própria fonte do processo de pensar. Isso pode ser alcançado pela prática da equanimidade, não passividade ou equilíbrio. Essa atitude é a marca da pessoa liberada, do sábio. É claro que isso não se conquista facilmente. O caminho da devoção, dedicação é o mais fácil que há, pois é alcançável pelo amor e este os conduz rapidamente à Meta.

 

Quando Deus é invocado pela oração que emana do coração, seja uma vez só, Ele responde imediatamente. Porém, agora o chamado vem somente dos lábios e não tem o selo da sinceridade e da fé. Partindo dos lábios, ele deve voltar para a língua; daí deve mergulhar fundo na garganta, chegando depois até o coração, lá dentro. Só a prática espiritual contínua pode assegurar o sucesso nesse empreendimento.

 

A vida do homem tem se tornado pateticamente artificial Do mesmo modo, a Mãe do Universo não levará em conta a quantidade de Yoga que vocês praticaram ou contará o número de mantras que entoaram, percorrendo o rosário, ou ainda o tempo empregado em práticas espirituais variadas. Ela só poderá ser comovida e Sua Graça, conquistada por um genuíno apelo que emane do coração. O homem descobre que está cada vez mais difícil invocar a Suprema Fonte do poder e da graça com essa sinceridade. Sua vida tornou-se pateticamente artificial.

 

Procurar boas companhias e passar todo o tempo disponível junto delas, chama-se satsang. Esse hábito ajudará bastante o aspirante espiritual. Vocês são moldados pelas companhias que cultivam. Um pedaço de ferro enferruja se procurar a companhia da lama. Ele brilhará, tornando-se macio e assumindo várias formas úteis, se desfrutar da companhia do fogo.  A poeira pode voar se escolher o vento como seu amigo; terminará como lodo em um pântano, se preferir a água. Ela não tem asas nem pés, mas, ainda assim, poderá voar ou caminhar, elevar-se ou cair, conforme a amizade que escolher. Sabendo dessa verdade, Kabir, o grande poeta místico, cantou: “Ofereço minhas reverências aos maus e também aos bons.” Quando lhe perguntaram por que reverenciava tanto as boas quanto as más pessoas, ele respondeu: “Eu reverencio os maus para que possam deixar-me sozinho; faço o mesmo aos bons, para que permaneçam sempre comigo.”

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