Ramadã
30 dias de jejum e abstinências do Islamismo

“O Mês de Ramadã foi o mês em que foi revelado o Alcorão, orientação para a humanidade e vidência de orientação e Discernimento. Por conseguinte, quem de vós presenciardes o novilúnio deste mês deverá jejuar; porém, quem se achar enfermo ou em viagem jejuará depois, o mesmo número de dias. Deus vos deseja a comodidade e não a dificuldade, mas cumpri o número de dias, e glorificai a Deus por ter-vos orientado, a fim de que (Lhe) agradeçais.”

(Alcorão 2:185)

O quarto pilar do Islã, o Jejum no mês de Ramadã, foi inicialmente um ato voluntário de abnegação mas tornou-se uma obrigação para a prática do islamismo como citado no (C:2 V:185) do alcorão sagrado.

O jejum é um modo de autodisciplina física para uma purificação interna e um agradecimento a Deus pelas conquistas na vida. Durante o mês de Ramadã, os muçulmanos são unidos pelo jejum e tendem a se aproximar do seu semelhante e de seus familiares que se reúnem diariamente para o desjejum. Ramadã é um período de renovação da fé, da prática mais intensa da caridade, e vivência profunda da fraternidade e dos valores da vida familiar. Neste período pede-se ao fiel maior proximidade dos valores sagrados, leitura mais assídua do Alcorão, frequência à mesquita, correção pessoal e autodomínio. Além das cinco orações diárias durante este mês sagrado recita-se uma oração especial chamada Taraweeh (oração noturna).

De acordo com ditos do profeta Maomé, Deus considera o jejum como o melhor das orações, porque só Ele e o praticante é que sabem sobre a sua veracidade.

A 27ª noite de Ramadã, chamada de “Noite do Destino”, é muito importante pois nela o profeta Maomé recebeu a primeira revelação divina. A data é especialmente comemorada com grandes festividades religiosas e familiares e doações de presentes e alimentos aos pobres.

 

Su-Hoor - Para suportar o jejum de comida e bebida durante o dia, antes da alvorada o muçulmano realiza uma refeição chamada su-hoor que substitui o café da manhã. Em muitas cidades árabes ainda é possível presenciar a tradição do Messaher, um homem cuja função é andar pelas vilas e ruelas dos bairros batendo em um pequeno tambor, gritando ou cantando, para acordar os fieis para o Su-Hoor.

 

Iftar - Ao término de cada dia, o jejum é finalizado com uma oração e uma refeição especial tomada em conjunto, chamada iftar. O iftar é o momento para reunir os membros da família e os seus amigos numa celebração de fé e de alegria. Após esta refeição, é prática social sair com a família para visitar amigos e familiares.

 

Muitos praticantes de outras religiões são convidados a partilhar este momento de convívio e é cada vez mais frequente que cristãos ofereçam e celebrem um iftar para os seus amigos muçulmanos.

 

A seguir, trechos do Discurso proferido por Bhagavan em julho de 1983, por ocasião do Ramadã:

 

Todos os fundadores de todas as religiões ouviram essa Voz impessoal de Deus revelando o Atma que ativa a Criação inteira.

 

Do mesmo modo que os Vedas foram ‘ouvidos’ e propagados como revelações ‘ouvidas’ (Shruthi), o Alcorão também foi ‘ouvido’ por Hazrath Mohamed (Maomé). O Alcorão tem Salat e Zakat como seus dois olhos. Salat significa oração; Zakat significa caridade. Aqueles que consideram a caridade como um alto dever e elevam suas consciências através de orações e contínua meditação em Deus são Muçulmanos. Islã é uma palavra que denota, não uma religião em particular, mas um estado mental, de total rendição à Vontade de Deus. Islã significa dedicação, entrega, paz, tranquilidade...

 

O mês do Ramadan é separado para a sagrada tarefa de recordar e praticar os ensinamentos que Hazrat Muhammad trouxe e atingir aquele estado de unidade e pureza que é verdadeiramente Divino.

 

O Islã dá importância à Lua, que regula os meses. Os Hindus consideram a Lua como a deidade que preside a mente. Com a visão (darshan) da Lua Nova, o jejum do Ramadan começa; e quando a Lua Nova é vista novamente, o jejum termina. ‘Jejuar’ não significa apenas desistir de comer e beber. A prática se inicia ao nascer do sol e termina somente após o crepúsculo, e é observada rigorosamente.

 

Durante o Mês do Ramadan a Rivalidade é Evitada

 

Com o despertar cedo, às três ou quatro da manhã, no Brahma Muhurtha (hora de Brahma), a oração tem início, e, por todo o dia, procura-se a experiência da constante presença de Deus. Este é o sentido do jejum (upavasa). Do mesmo modo, durante o mês do Ramadan, toda rivalidade é evitada, o ódio é suspenso. Marido e mulher vivem separados, embora no mesmo lar; mães e filhos seguem o mesmo regime espiritual e uma atmosfera de irmandade se mantém. O corpo, os sentidos e a mente são submetidos a rigorosa disciplina. Períodos mensais de abstinência são prescritos em todas as religiões. Os Hindus observam-na nos meses Magha e Sravana. Zoroastristas e Cristãos também estabeleceram meses para o mesmo propósito.

 

Reza o Alcorão que todos os homens devem cultivar o senso de unidade, de interdependência, de amor altruísta e da imanência da Divindade.

 

Geralmente, os homens ingerem algum tipo de alimento para seu sustento cinco vezes ao dia: uma xícara de café na cama, um desjejum duas horas depois, um almoço completo ao meio-dia, chá às quatro da tarde e um gordo jantar às nove. O Islã prescreve alimento para a natureza espiritual do homem e comanda que seja ingerido cinco vezes ao dia, na forma de orações. Para o despertar da consciência do Eu Superior (átmica), para conquistar a felicidade espiritual e para promover a manifestação da iluminação átmica, a oração é prescrita cinco vezes ao dia, desde o despertar da razão, até o momento da morte...

 

O Islã ensina que a Graça de Deus pode ser conquistada através da justiça e de uma vida correta; riqueza, erudição e poder não a podem conquistar.

 

Somente o Amor Sagrado pode agradar ao Senhor. Esta é a mensagem de toda religião. A humanidade, entretanto, tem ignorado esse ponto crucial. O Ramadan reúne, pelos laços do amor, parentes distantes e próximos, amigos e inimigos. Esse tipo de negligência tem ocorrido em todas as religiões: os seguidores adotam as regras de que gostam, e quebram aquelas que consideram exigentes. Desta maneira, tornam suas mentes estreitas e distorcidas. Além disso, racionalizam seus defeitos e justificam suas falhas. Habituaram-se a essa prática de autoengano.

 

Uma vez que Islã significa rendição a Deus, todos aqueles que, em espírito de entrega e dedicação, vivem em paz e harmonia com a sociedade, para falar a verdade, pertencem ao Islã.

 

O Islã insiste na total coordenação entre pensamento, palavra e ação. Os santos e sábios muçulmanos têm enfatizado que devemos inquirir sobre a validade do ‘eu’ que sente ser o corpo, e do ‘eu’ que sente que é a mente, e chegar à conclusão de que o ‘eu’ real é o Ser que anseia pelo Ser Supremo, Deus. No mês do Ramadan, o jejum e as orações são concebidos para despertar e manifestar essa realização.

 

Prasanthi Nilayam - Ramadã - Mês Sagrado do Islã - 12/07/83

Eid AL-Fitr - Celebra o fim do Ramadã

O Ramadã é considerado o mês mais alegre do ano, que termina com a maior celebração de todas: a quebra do jejum, Eid al-Fitr. Em todo o mundo, os muçulmanos celebram com luzes e decorações.

Celebra-se no primeiro dia do mês de Shawwal, o décimo mês do calendário islâmico.

O Eid começa com uma oração comunal no meio da manhã, realizada a princípio nas mesquitas, porém pode ser realizada em praças ou nas casas, quando o espaço nas mesquitas não for suficiente.

Antes do início da oração a congregação recita o Takbir, uma prece que glorifica a grandeza de Deus. Depois da oração segue-se um sermão (khutba) e uma oração especial que pede perdão e ajuda a todos os muçulmanos do mundo.

É tradição a realização de um grande almoço (o primeiro almoço que os muçulmanos tomam após o jejum diurno de um mês), geralmente na casa de um parente mais velho. É tradição, também, em alguns países árabes, as pessoas trocarem presentes entre si.

 

O primeiro Eid al-Fitr foi celebrado em 624 pelo profeta Muhammad e seus familiares e amigos em regozijo pela vitória na Batalha de Badr.

Durante a celebração, as pessoas vestem suas melhores roupas, decoram suas casas com luzes, proporcionam divertimento às crianças e visitam os amigos e a família.

Para muitas pessoas, um senso de generosidade, de gratidão e de boas maneiras é o principal tema do Eid al-Fitr e são muito importantes para o Ramadã. O mês sempre consistirá no auxílio dos muçulmanos na alimentação dos pobres e nas contribuições para suas mesquitas.

Quando os muçulmanos terminam o mês do jejum, partem com muitos benefícios que o Ramadã deixa para trás.

De acordo com a tradição muçulmana, o Ramadã:

  • Fortalece o vínculo da pessoa com Alá e educa a alma a observar as obrigações de devoção de acordo com os ensinamentos do Alcorão;

  • Impõe paciência e determinação;

  • Desenvolve o princípio da sinceridade, afastando o ser individual da arrogância e da vaidade;

  • Desenvolve o bom caráter, em especial a honestidade e a confiança;

  • Encoraja o indivíduo a deixar os maus hábitos e mudar suas circunstâncias para melhor;

  • Intensifica a generosidade, a hospitalidade e o dom da caridade;

  • Reforça os sentimentos de unidade e irmandade entre os muçulmanos;

  • Suscita ordem e cumprimento rigoroso dos valores do período;

  • Serve como uma oportunidade para as crianças executarem a obediência e praticarem as leis islâmicas de adoração;

  • Oferece a chance de equilibrar a atenção da pessoa tanto para as necessidades físicas como para as espirituais.

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