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01 de maio de 2026

Há uma profunda diferença entre caridade e sacrifício, embora alguns não consigam percebê-la. Essa confusão é um grande equívoco. As pessoas podem doar caritativamente uma pequena parte do que possuem, preservando quase toda a sua riqueza, para atender aos próprios objetivos. Há egoísmo e interesse pessoal nesse ato de caridade. Por outro lado, em um ato de sacrifício não existe sequer o mínimo traço de egoísmo. O sacrifício reside em dar a outros aquilo que mais se aprecia, aquilo a que se ama profundamente. O que é mais precioso para o ser humano? É a sua vida. Nada lhe é mais caro do que ela. Qual é, então, o verdadeiro significado do sacrifício? É estar disposto a oferecer até mesmo a própria vida pelo bem de outros. Muitos se vangloriam de ter feito o grande sacrifício de doar as suas terras em caridade. No entanto, é possível que, na verdade, tenham agido assim com o intuito de angariar fama e prestígio. Isso não pode ser considerado como sacrifício no verdadeiro sentido da palavra. “Não se alcança a imortalidade por meio de ações, descendência ou riqueza, mas unicamente pelo sacrifício” – esse é um dos mais importantes ensinamentos da cultura indiana. O verdadeiro sacrifício é imutável e incomparável; ele torna o ser humano imortal. O corpo é transitório e está fadado a perecer e se desintegrar, enquanto o Atma, o Ser Interno, é imperecível, imutável e eterno. E é somente por meio do sacrifício que se pode ter a experiência do Atma imortal. (Discurso Divino, 28 de junho de 1996)

Sri Sathya Sai Baba

02 de maio de 2026

Desejo chamar a atenção de todos para algo muito importante. Eis a principal razão pela qual o nosso país, a Índia, atingiu o estado lamentável em que se encontra atualmente: as pessoas não cumprem os seus deveres apropriadamente. Então, de que adianta ouvirem falar a respeito de devoção? É fundamental que cada um, seja médico ou advogado, cumpra os seus deveres com dedicação. Por exemplo, se há pacientes sofrendo e os médicos abandonam os seus postos para acorrer ao templo a fim de participar do ritual do arati em louvor a Swami, pode-se considerar a sua atitude como devoção? Não, isso não é devoção, de forma alguma; é pura tolice e insensatez. Cuidem dos pacientes sob a sua responsabilidade com sinceridade e empenho, para que eles não passem por sofrimentos desnecessários. Esse é o seu seva, o seu serviço desinteressado; esse é o seu dever. Aqueles que negligenciam as suas obrigações jamais conseguirão desenvolver devoção, por mais que ouçam falar a respeito dessa virtude. De que serve despejar pudim em calda em uma vasilha cheia de furos? Por maior que seja a quantidade de pudim despejado, ela continuará vazia. Similarmente, se o seu coração estiver furado pelo egoísmo e pelo interesse pessoal, de nada adiantará tentar enchê-lo de devoção, pois o que realmente importa é cumprir o seu dever adequadamente e com sinceridade. (Discurso Divino, 28 de junho de 1996)

Sri Sathya Sai Baba

03 de maio de 2026

Nesta existência mundana, o amor se manifesta de diversas formas, tais como o amor entre mãe e filho, entre marido e mulher ou entre parentes. No entanto, esse amor baseado em vínculos físicos surge de motivações egoístas e interesses pessoais. O amor pelo Divino, por outro lado, é desprovido de todo e qualquer traço de interesse próprio. A isso se chama devoção. Esse tipo de amor apresenta três características: 1) dá sem receber; 2) não conhece o medo; 3) existe apenas pelo próprio amor, não por motivos egoístas. Esses três aspectos do amor, juntos, indicam entrega total ao Divino. Quando alguém se deleita nessa atitude de entrega absoluta, experimenta a bem-aventurança divina. Mas, para alcançar esse estado, o requisito primordial é a virtude do perdão (em sânscrito, kshama). Somente alguém que cultive o perdão pode ser considerado possuidor de um amor sagrado. Não se pode adquirir essa virtude em livros nem mediante o aprendizado com um mestre ou com qualquer outra pessoa. Ela tem que ser cultivada pelo próprio indivíduo nos momentos de dificuldade, provação e tribulação que inevitavelmente surgem ao longo da vida. Quando se defrontarem com problemas e adversidades, não se deixem abater nem se entreguem à depressão, pois isso é sinal de fraqueza. Nessas situações, coloquem em prática a tolerância e o perdão, evitando ficar agitados e alimentar sentimentos de raiva, ódio ou desejo de vingança. Afinal, vocês são personificações de força, não de fraqueza. (Discurso Divino, 1º de janeiro de 1994)

Sri Sathya Sai Baba

04 de maio de 2026

O ser humano possui duas partes essenciais: a cabeça e o coração. Da cabeça, que é a sede da mente, surge o interesse pelo mundo exterior, e do coração brota o interesse pelo mundo interior. Hoje se testemunha um crescimento excessivo de pensamentos oriundos da mente, o que representa um envolvimento cada vez maior com o mundo exterior. Por outro lado, os sentimentos internos não estão se desenvolvendo com a mesma firmeza e pureza. As eras mudam e o mundo está em constante transformação. Contudo, o coração do ser humano permanece estagnado. Ele continua a progredir, porém o seu coração não está se expandindo, e somente com a expansão do coração a humanidade alcançará a verdadeira plenitude. Por que o coração humano não está se expandindo nos dias atuais? A principal causa disso está no sistema educacional que hoje predomina, voltado quase que exclusivamente para uma formação secular. Esse modelo de educação desvia a atenção do ser humano para o mundo exterior. Consequentemente, o estudante concentra a sua atenção no conhecimento mundano e técnico, mas negligencia o conhecimento de importância espiritual e ética. (Discurso Divino, 15 de abril de 1995)

Sri Sathya Sai Baba

05 de maio de 2026

Uma pessoa cujo coração esteja repleto de bons pensamentos e de intenções nobres fará bom uso da sua educação e da sua riqueza. Por outro lado, quem tiver o coração cheio de maus pensamentos, más qualidades e sentimentos perversos fará mau uso tanto da sua educação quanto da sua riqueza. A mente humana é, portanto, a única responsável pelo bom ou mau uso de tais recursos. Eis um exemplo para ilustrar essa verdade: se vocês colocarem água em uma garrafa vermelha, ela parecerá vermelha; se a colocarem em uma garrafa azul, parecerá azul. Similarmente, a educação e a riqueza assumirão as qualidades que predominarem no coração humano. Em um indivíduo dominado pela qualidade da paixão e da agitação (rajoguna, em sânscrito), a educação e a riqueza que adquirir assumirão essa qualidade. Por outro lado, em um indivíduo pleno da qualidade da serenidade e do equilíbrio (satvaguna, em sânscrito), tais recursos refletirão essa qualidade. Portanto, as qualidades de cada ser humano são determinantes para que a sua educação e a sua riqueza sejam usadas de maneira benéfica ou prejudicial. Uma pessoa pode possuir muitos poderes; entretanto, se não possuir o poder das virtudes, a sua educação e riqueza serão totalmente inúteis. (Discurso Divino, 28 de junho de 1996)

Sri Sathya Sai Baba

06 de maio de 2026

O sábio Narada quis ensinar a Satyabhama, a segunda esposa de Krishna, a suprema grandeza de certas qualidades humanas das quais ela não tinha consciência. Para isso, criou uma situação na qual Krishna ficaria em um dos pratos de uma balança para que Satyabhama igualasse o Seu peso em valiosas oferendas que seriam colocadas no outro prato. Contudo, todas as suas joias e riqueza foram insuficientes para que a balança pendesse a seu favor. Finalmente, ela implorou a Rukmini, a primeira esposa de Krishna, que viesse em seu auxílio. Rukmini aproximou-se e orou a Krishna, dizendo: “Se é verdade que Deus Se rende ao devoto que Lhe oferece com amor uma folha, uma flor, uma fruta ou um pouco d’água, que esta minha folha de manjericão-sagrado (tulasi, em sânscrito) faça a balança pender para o lado oposto ao de Krishna”. O significado esotérico dessa oração é o seguinte: o corpo humano representa a folha; o coração, a flor; a virtude, a fruta; as lágrimas de alegria que vertem dos olhos do devoto, a água oferecida ao Divino em espírito de completa entrega. Na verdade, vocês só devem derramar lágrimas por amor a Deus, e por nenhuma outra razão. Mesmo nos momentos de maior aflição, não se deve chorar. As lágrimas podem ser de alegria, de entusiasmo ou de êxtase, nunca de tristeza. Narada encenou toda aquela situação para mostrar a Satyabhama as nobres qualidades de Rukmini e a grandeza da sua devoção. O sábio disse a ela: “O Senhor não Se deixa conquistar pela riqueza. Ele só Se rende à bondade”. (Discurso Divino, 15 de abril de 1995)

Sri Sathya Sai Baba

07 de maio de 2026

A simples presença da luz não basta; devemos avançar com o auxílio da iluminação que ela proporciona. Se, mesmo possuindo essa luz, não seguirmos o caminho revelado por ela, seremos tão cegos quanto aqueles que não podem enxergar. Certa vez, o Senhor Krishna apareceu diante de Surdas, santo e poeta cego indiano, e lhe disse: “Surdas, se estás ansioso por ver o mundo, restaurarei a tua visão agora mesmo”. Demonstrando a sua profunda devoção, Surdas respondeu: “Aqueles que têm olhos são, na verdade, cegos se não contemplam a Tua forma sublime e auspiciosa. Embora possuam ouvidos, são como surdos se não se dispõem a ouvir o som melodioso da Tua canção. Embora possuam mãos capazes de alcançar o Divino, afogam-se no oceano da vida mundana. Apesar de habitares o seu coração, eles se deixam iludir pelo brilho falso, ilusório e efêmero do mundo. Ainda que desfrutem de plena visão, são incapazes de Te ver. Portanto, não desejo tal coração, tais olhos nem tais ouvidos. Concede-me, ó Senhor, ouvidos que ouçam a Tua canção, olhos que contemplem a Tua bela forma e um coração no qual Tu estejas instalado”. Essa foi a súplica de Surdas. (Discurso Divino, 14 de julho de 1984)

Sri Sathya Sai Baba

08 de maio de 2026

Algumas pessoas almejam uma felicidade contínua. Mas, se vocês fizerem uma refeição às dez horas da manhã, não continuarão comendo sem parar ao longo do dia. Tem que haver um intervalo entre uma refeição e outra para que o alimento seja digerido. Da mesma forma, quando se vivencia uma experiência prazerosa, é necessário um período para que ela seja assimilada antes de se ter outra experiência semelhante. Além disso, assim como a prática de exercícios físicos auxilia na digestão dos alimentos, também se deve passar pelo exercício de enfrentar a dor após uma experiência de prazer. Portanto, aceitem tudo o que Deus lhes conceder como algo benéfico para vocês. Após suportar dores intensas, a mãe sente a alegria de ver o seu bebê. Se vocês permanecerem em uma sala com ar-condicionado durante as vinte e quatro horas do dia, não conseguirão usufruir o prazer desse conforto. Só ao retornarem, após terem passado algum tempo sob o calor intenso do sol, é que serão capazes de apreciar a agradável sensação de frescor da sala. Após o término da Guerra de Kurukshetra, narrada no épico Mahabharata, Krishna perguntou a Kunti, mãe dos irmãos Pandavas, qual era o seu desejo. Kunti pediu para ser sempre abençoada com dificuldades, pois apenas nos momentos de adversidade ela se lembrava constantemente de Deus, como acontecia na época em que os Pandavas estavam  na floresta. Reconheceu que antes, quando desfrutava da vida de rainha no palácio, não pensava em Deus. De fato, só em momentos de aflição é que se saboreia a doçura de cantar o Nome do Senhor. (Discurso Divino, 1º de janeiro de 1994)

Sri Sathya Sai Baba

09 de maio de 2026

Kuchela, amigo de infância e fervoroso devoto de Krishna, foi ao Seu encontro para Lhe pedir muitas dádivas materiais. No entanto, ao contemplar o semblante divino do Senhor, esqueceu todos os seus desejos. Ao retornar à sua aldeia natal, encontrou um cenário diferente: onde antes ficava a sua humilde moradia, erguiam-se magníficas mansões. Elegantemente vestida e adornada com muitas joias, a esposa de Kuchela veio ao seu encontro e o saudou, exclamando: “Veja quantas coisas maravilhosas o Senhor Krishna lhe concedeu!” Kuchela olhou em volta e respondeu: “Eu não pedi nada a Ele; não Lhe falei sobre a nossa situação aqui em casa. Seria necessário dizer alguma coisa ao Senhor onipresente e onisciente?” Em seguida, contou detalhadamente à esposa como Krishna o recebera em Seu palácio e o abraçara, derramando sobre ele o Seu amor. Disse ainda: “Como posso descrever tamanha bondade e amor? Haverá alguém como Ele, capaz de conceder toda a prosperidade a alguém após receber um simples punhado de arroz torrado? Ele é a Encarnação do Amor; é o próprio Amor”. Atualmente, porém, o devoto se comporta de maneira diferente em relação a Deus. Vai ao templo levando consigo uma infinidade de desejos e oferece ao Senhor apenas um pequeno coco. Mas não é essa a oferenda que se deve fazer a Deus; o que se deve oferecer a Ele é um coração puro e imaculado. (Discurso Divino, 15 de abril de 1995)

Sri Sathya Sai Baba

10 de maio de 2026

Em diversas ocasiões, o Senhor submete os devotos a diferentes tipos de testes e provações, com o objetivo de promover o seu progresso espiritual. Deus, que é a fonte de toda a sabedoria, concede iluminação apenas a quem se aproxima d’Ele. Aqueles que acham que o Senhor não os viu ou não falou com eles devem se perguntar quão próximos de Deus estão nos seus pensamentos e nas suas práticas espirituais. Cada um deve se dedicar ao processo de autoinvestigação. O Senhor não tem raiva nem benevolência. Mesmo quando parece severo, há Graça Divina nessa severidade. Quando parece castigar, há compaixão nesse castigo. Quando parece zangado, há amor por trás dessa raiva aparente. Somente aqueles que compreendem a natureza essencial de Deus são capazes de dar o devido apreço aos caminhos do Divino. O Senhor recorre a determinadas punições para conduzir o devoto ao caminho correto e capacitá-lo a levar uma vida ideal. Tais punições visam o benefício e o bem-estar do devoto. (Discurso Divino, 6 de março de 1989)

Sri Sathya Sai Baba

11de maio de 2026

Há uma característica comum a todos os seres vivos: o apego. Ele está igualmente presente nos seres humanos, porém só estes possuem a capacidade de superá-lo e alcançar a liberação. A ilusão do mundo material (maya, em sânscrito) envolve o ser humano e o conduz por caminhos errôneos. Essa ilusão se manifesta por meio das três qualidades inerentes à Criação: satva, que representa a pureza, o equilíbrio e o altruísmo; rajas, associada à paixão, à atividade e ao egoísmo; e tamas, relacionada à inércia, ao torpor e à ignorância. Sob a influência de tais qualidades, as pessoas tendem a esquecer a sua essência divina e a sua própria natureza humana, passando a se comportar como animais. Além disso, as três qualidades de maya, a ilusão do mundo material, se combinam com as três formas de apego para transformar o ser humano em um ser demoníaco. Essas três formas – apego à riqueza, ao cônjuge e aos filhos – tornam o ser humano um escravo do apego. Triunfar sobre elas é poder transcender o apego; e, à medida que este perde a intensidade, maior é a possibilidade de se alcançar a liberação. Portanto, tendo em vista que a liberação consiste na completa superação do apego, é essencial que todos se empenhem em manter sob controle as três formas que ele assume. (Discurso Divino, 15 de abril de 1995)

Sri Sathya Sai Baba

12 de maio de 2026

O devoto que segue o Caminho da Ação ou Karma Marga pratica muitos atos pelo bem-estar do mundo. Participa de rituais védicos de sacrifício e se dedica ao serviço desinteressado e a atividades beneficentes. No entanto, todas essas formas de ação apresentam consideráveis desafios. Por exemplo, a realização de rituais de sacrifício exige que se esteja familiarizado com os textos védicos, o que não é fácil para leigos. O Caminho do Conhecimento ou Jñana Marga, por sua vez, requer uma compreensão profunda das Escrituras Sagradas e de vários outros tipos de saber que, em conjunto, conduzem ao Conhecimento do Atma, isto é, ao Conhecimento do Ser Interno. Define-se o termo sânscrito Jñana como “a percepção da Consciência Cósmica Una”. Essa definição implica o reconhecimento da unidade subjacente à diversidade, porém não é fácil vivenciar essa unidade. O Caminho do Yoga, voltado para o controle da mente, é igualmente difícil e repleto de obstáculos. Exige um rigoroso controle dos sentidos e a superação de inúmeros desafios, testes e provações, mas poucos possuem a força mental e espiritual necessária para isso. Já o Caminho da Devoção ou Bhakti Marga merece uma atenção especial por ser o mais fácil de todos. Não exige domínio das Escrituras, não impõe a realização de rituais de sacrifício e tampouco requer a busca elusiva da unidade na diversidade. Ao se trilhar esse caminho, o cultivo do amor por Deus leva os sentidos a se submeterem naturalmente à autodisciplina. (Discurso Divino, 6 de março de 1989)

Sri Sathya Sai Baba

13 de maio de 2026

O corpo se torna saudável com trabalho e exercícios físicos; a mente, por meio da contemplação devocional, da recordação do Nome Divino e de uma disciplina regular e bem planejada, aceita e cumprida com alegria. Em uma verdadeira oferenda, o arroz simboliza a não violência; os grãos, a dedicação; as passas, a expiação; o açúcar mascavo, o arrependimento. Misture todos esses ingredientes com manteiga clarificada, que simboliza a virtude. Essa é a oferenda que cada um deve fazer à sua divindade escolhida, não oferendas insignificantes, preparadas com artigos adquiridos em lojas ao custo de algumas moedas! As gopis, pastorinhas devotas de Krishna, conheciam essa passagem secreta para o Seu coração e rapidamente alcançaram a plena percepção do Senhor.  Um dos muitos Nomes de Krishna é Murali Madhava, “o Senhor da Flauta”. Mas o que significa exatamente “murali”, a flauta de Krishna? Significa que você deve ser essa flauta em Suas mãos. Deixe que o sopro divino de Krishna passe através de você, produzindo encantadoras melodias que enternecem os corações. Entregue-se a Ele, esvazie-se de todas as tendências mundanas, liberte-se do ego e do desejo. Então Ele próprio virá e, segurando-o amorosamente, o colocará em Seus lábios, como a Sua flauta, e soprará docemente através de você. Permita-Lhe tocar a melodia que desejar, seja ela qual for. (Discurso Divino, 6 de setembro de 1963)

Sri Sathya Sai Baba

14 de maio de 2026

Aquele que busca os prazeres dos sentidos se preocupa com o corpo físico; por outro lado, aquele que direciona a sua atenção para o Atma, para o Ser Interno, almeja o bem-estar espiritual. Atualmente, quase toda a população (cerca de 99%) se dedica à realização de desejos sensoriais, negligenciando a bem-aventurança espiritual. A educação de hoje prioriza a busca pela satisfação dos sentidos; consequentemente, todas as profissões e ocupações têm como objetivo a concretização de desejos materiais. Os diversos prazeres da vida estão relacionados aos sentidos; a aquisição de riqueza visa desfrutar momentos efêmeros de prazer sensorial. Sem dúvida, é necessário dedicar alguma atenção ao bem-estar físico. “Até mesmo o corpo é essencial para o cumprimento do dharma, para a prática da Retidão”, diz o texto sagrado. Com efeito, é preciso atender às necessidades básicas de bem-estar físico, cumprir as responsabilidades familiares e servir à sociedade, e o corpo é o instrumento que possibilita tudo isso. Entretanto, como tais condições estão relacionadas ao mundo fenomênico exterior e aos desejos mundanos, esse não deve ser o propósito maior da existência. Paralelamente a ele, deve haver o anseio por uma vida espiritual mais elevada. A busca por prazeres sensoriais é negativa, enquanto a busca pelo bem-estar espiritual é positiva. Sendo assim, de nada valerão os prazeres dos sentidos se não estiverem associados a esse ideal positivo, por maior que seja a prosperidade material alcançada. Somente quando se anseia pelo bem-estar espiritual é que até mesmo os prazeres dos sentidos podem conduzir à plenitude. (Discurso Divino, 5 de março de 1995)

Sri Sathya Sai Baba

15 de maio de 2026

Milhões de pessoas se dedicam a servir ao próximo com o Nome de Deus nos lábios. “Nem pela penitência, nem pela peregrinação, nem pelo estudo das Escrituras, nem pela repetição do Nome Divino é possível atravessar o oceano da vida, mas apenas por meio do serviço aos virtuosos”, diz o verso em sânscrito. Na verdade, prestar serviço desinteressado é muito importante. Sirvam a todos com a convicção de que Deus reside em cada ser. Ao se prestar esse tipo de serviço, é essencial eliminar todo e qualquer vestígio de ego. Se nele houver o sentimento de estar servindo a outros, não se poderá considerá-lo serviço desinteressado. Realizem todas as ações com o objetivo de agradar a Deus – essa é a atitude que se deve ter ao prestar serviço ao próximo. Embora muitos se envolvam em atividades de serviço, quantos realmente conseguem desfrutar dos benefícios que elas proporcionam? Antes de tudo, é preciso compreender o significado da palavra “serviço”. O verdadeiro serviço é realizado com sentimentos divinos e abnegação de si mesmo – como uma oferenda a Deus. Só quando é praticado por amor a Deus e não por apego ao corpo é que ele tem valor. Até mesmo um pequeno ato de serviço prestado com o único propósito de agradar ao Senhor se torna altamente significativo. (Discurso Divino, 24 de fevereiro de 2002)

Sri Sathya Sai Baba

16 de maio de 2026

De acordo com a cultura indiana, existem quatro purusharthas ou objetivos da vida humana: a retidão (dharma), a riqueza (artha), o desejo (kama) e a liberação (moksha). Tais objetivos não são exclusivos da Índia; também estão presentes em outros países. Alguns afirmam que eles se aplicam exclusivamente aos homens e não às mulheres. No entanto, o termo “Purusha” não significa “homem”; ele se refere ao Atma, ou seja, ao Ser Interno, e à Consciência, que não faz distinção entre homens e mulheres. O verdadeiro Purusha é o Atma, que é o mesmo em todos. Dentre os purusharthas, o primeiro é o dharma. Geralmente se pensa que ele está relacionado à caridade, porém isso não é correto. O dharma engloba os atos que ajudam o ser humano a alcançar a Divindade. De fato, as ações que despertam a bem-aventurança no coração, manifestam a não dualidade e promovem a unidade constituem dharma. Os sentimentos mais íntimos que refletem a Divindade também se inserem no dharma, que é um valor a ser praticado por todos. Na verdade, a vida humana está destinada exatamente a esse objetivo. O ser humano deve se conscientizar do fato de que nasceu para manifestar a Divindade. O dharma não diz respeito aos estágios da vida humana previstos na tradição indiana, como o de chefe de família e o de renunciante, por exemplo. Esses estágios estão relacionados ao mundo e não ao Ser Interno. O problema é que as pessoas esquecem a sua natureza humana inerente e se deixam envolver pelos problemas materiais do seu dia a dia; consequentemente, a sua vida permanece sem a orientação do Princípio Supremo. (Discurso Divino, 1º de maio de 1997)

Sri Sathya Sai Baba

17 de maio de 2026

Geralmente se pensa que a riqueza ou artha, o segundo dos quatro objetivos da vida humana ou purusharthas, se refere a propriedades e bens materiais. No entanto, o verdadeiro sentido de artha reside na consciência de Deus. Essa consciência é riqueza em conhecimento, não em dinheiro. A experiência da Divindade é, em si mesma, artha – algo que se deve alcançar e difundir. O terceiro desses quatro objetivos – o desejo ou kama –, contrariamente à crença popular, está relacionado ao anseio por alcançar a liberação, e não a objetos materiais, que são de natureza transitória. Por não compreenderem o seu verdadeiro sentido, as pessoas o associam a prazeres mundanos e desejos efêmeros. É preciso compreender o significado real desses conceitos, reconhecer o verdadeiro propósito da vida humana e disseminar esse conhecimento. Finalmente, o quarto desses objetivos – a liberação ou moksha – é um estado no qual não existe entrada nem saída, nem nascimento nem morte. O grande filósofo e místico indiano Adi Shankara disse: “Neste infindável ciclo de nascimentos e mortes, o ser humano tem que retornar ao ventre materno repetidas vezes. Como é difícil atravessar este vasto oceano da existência mundana! Ó compassivo Senhor, protege-me com a Tua Graça infinita!” O mesmo sábio deu a um erudito versado em gramática o seguinte conselho: “Ó insensato! Adora a Govinda, adora a Krishna! Quando o Deus da Morte te chamar, o teu conhecimento de regras gramaticais de nada te valerá”. Qual é, então, o caminho para a liberação? Lembrem-se constantemente de Deus e sobre Ele meditem. Trilhem esse caminho sagrado e alcancem o mais elevado estado divino – aquele no qual não existe nascimento nem morte. (Discurso Divino, 1º de maio de 1997)

Sri Sathya Sai Baba

18 de maio de 2026

O verdadeiro amor deve ser espontâneo. Assim era o amor do príncipe Dharmaraja, o mais velho dos irmãos Pandavas e exemplo ideal de piedade e retidão. Narra o épico Mahabharata que, mesmo quando a sua esposa Draupadi foi humilhada publicamente na corte dos Kauravas, seus primos e rivais, ele manteve a mente fixa em Krishna. Quando Ashvatama, aliado dos Kauravas, massacrou os filhos inocentes dos Pandavas, Dharmaraja continuou a pensar em Deus com a mente firme, pura e serena. Quando Bhima, o segundo dos irmãos Pandavas, foi lançado, com as mãos e os pés amarrados, em um rio cheio de serpentes venenosas, Dharmaraja conservou a sua equanimidade. Ele só pôde manter essa atitude em tais situações porque foi capaz de transcender a alegria e a tristeza e alcançar o Princípio da Divindade, que é não dual. Portanto, é apenas pela percepção da Verdade fundamental que se desenvolve uma mente imperturbável. O intelecto transcende a mente e, por isso, a sua pureza se reflete na mente. Limitar-se a fazer meditação ou cantar o Nome Divino como disciplina espiritual não é suficiente. A verdadeira disciplina espiritual ou sadhana consiste no cultivo da pureza do coração. Na verdade, essa pureza é, em si mesma, a conquista da sabedoria, e é nesse estado de sabedoria que a mente permanece inabalável. Assim como Dharmaraja, existem no mundo inúmeros devotos que já alcançaram esse estado, porém há também aqueles cuja equanimidade é abalada pelas alegrias e tristezas da vida. Então, para superar essa natureza inconstante da mente, é essencial reconhecer a própria natureza divina, que promove a equanimidade. (Discurso Divino, 5 de outubro de 2000)

Sri Sathya Sai Baba

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